] terça-feira, setembro 30, 2008
 
marido adotou uma gatinha

UP DATE: a fota da gatinha:

gatinha

mais fota da gatinha:

carinhosa

fora todos os outros bichos que a gente adota, assim, de coração. porque tem o lagartão da UNISINOS. e tem todos os quero-queros da UNISINOS e do CEFET que a gente tira foto sempre e adora e ama. e tem as ovelhas do CEFET, agora, que bobeou eu vou pegar uma pra mim. socar a bichinha onde eu ainda não sei, mas penso que meu quarto deve ser grande e aí vou comprar uma caminha pra ovelhinha.

Filhote

porque eu nunca disse aqui, né?, mas eu tinha uma ovelha quando era pequena. ela vivia no nosso pátio e eu dava leite pra ela numa mamadeira improvisada numa garrafa de fanta média e um bico de mamadeira. tem fotos disso, mas eu preciso escanear, então coqué dia eu posto aqui.

e aí a Nina Ninoca tá chocando ovinhos, então pelo jeito vamos ser vovós de dois cabeçudinhos em breve.

e tem também os patos enormes, furiosos e cor de varejeira da UNISINOS, que a gente também adotou de coração. e tem todos os cachorros do bairro onde fica o CEFET, que o marido faz questão de fazer festinha sempre que chega e tals. realize uma cachorrada de rua assim, toda contente, esperando o tio de barbicha passar... pois é.

aí esses tempos, lá no subsolo, que é onde fica a T.I. do CEFET (como no I.T. Crowd, sabe?), surgiu um bichano/a preto/a. do nada. do tipo que dá susto em personagens de filme de terror. mas como a gente aqui é chegado num gato preto, a neguinha não foi susto e o marido já ficou todo contentinho.

famélica a bichinha.

marido e o primo fábio resolveram providenciar rações e águas pra pobrezinha, que tava arisca ainda. no primeiro dia, ela come por 10 minutos (eu disse famélica).

aí agora a gatinha - descobriu-se ser uma bichinha do sexo feminino - fica por lá, até entrar na sala de T.I. já entrou... e tá cheia de gatinho na barriga.

e aí ontem levou um gatão pra conhecer o marido. o meu marido, veja. o gatão deve ser namorado dela. ou sei lá. mas gordo. e ela famélica. espero que ela não seja burrinha de ensinar pra ele o caminho das pedras (na verdade, das rações) pra ele ficar se empanturrando e ela lá, continuar famélica.

marido e primo fábio já fazendo campanhas pra doar os filótes da gatinha.

e debatendo pra saber um nome pra bichinha.

e domingo a minha mãe perguntou se eu não queria uma cãzinha, que é irmã caçula da Whisky, que ela adotou ano passado.

daqui a pouco isso aqui vira uma arca.

[ Penkala ] 12:49 ] 4 comentários
 
 
viagem ao centro da terra

tinha que fazer exames admissionais, né? tava preparada pra ir ontem e na semana que vem, porque são dois exames e um depende do outro e um tem que levar no outro e então teria que ser em dois dias. então marquei apenas o primeiro pra ontem.

audiometria

tipo uma coisa que deve demorar o que? 10 minutos? marcaram pras 15h10, sendo que só tenho que dar aula às 19h30, e ia ficar vagando pela cidade que não conheço, nunca vi, durante no mínimo 4 horas...? não tinha mais tarde. aí tive que comprar passagem pra bem cedo. tipo meio dia. e ir de executivo, porque a viagem dura duas horas, mas os outros ônibus (os normais) só saíam 12h45 e demoravam 2h45min (porque iam passando por todas as cidades do mundo existentes no caminho).

já levei toda uma mochila cheia de coisas, pra estudar, fora os livros todos que eu costumo levar pros aluninhos olharem. ontem, aliás, tinha até o design no século, aquele que é enorme.

no meio da viagem, que tava até bem confortável, um véi se levanta e vai ao banheiro.

eu me pergunto, bem sério, nesse momento, quem foi o animal jacú-sem-olfato-sem-mãe-e-sem-noção que inventou o sistema unificado de ventilação dos ônibus junto com o banheiro. sério mesmo, não é pergunta retórica, eu quero saber pra ir lá mandar esse paspalho tomar no cu. porque segundos depois que o véi fechou a porta do banheiro, tomou conta do ônibus todo, difundido pelo ar condicionado que circula pelo veículo, um odor absurdamente insuportável de podre.

pra fins de demonstração, calcule: gato morto há dois dias no verão de Porto Alegre dentro de uma caixa fechada + fralda quentinha e cheia de matária sólida proveniente de bebê que só toma leite.

eu juro. eu juro que a primeira coisa que procurei foi aquele saquinho que eles disponibilizam pra tu colocar os lixos. eu ia vomitar, e era bem sério.

o auto-controle é tudo nessa vida.

mas tá. cheguei na rodoviária e fui olhar o mapa da cidade, pra saber o quão distante eu estava do centro e do bairro da faculdade. não tinha CENTRO no mapa. aí, no balcão de informações

de informações

perguntei se a rua tal ficava muito longe

"isso eu não sei, pergunta nos táxis"

de informações. balcão de informações.

one adam twelve, one adam twelve...

atenção todos os carros (como diria a Cris)

o taxi me levou até a rua essa em questão. ou melhor, quase. não tava com o taxímetro ligado. andou 5 quadras e parou numa esquina:

"a rua é aquela lá, ó, tu desce essa e depois encontra o prédio tal." (as pessoas não dão informações sobre o número dos locais, é pelo nome do prédio) "tu desce daqui senão eu vou ter que fazer toda a volta. deu sete reais."

sete. reais. por. 5. quadras. e o taxímetro não tava ligado.

desci, eu e minha mochila de 25,13 quilos.

aí saí da audiometria cedinho, e como recebi o "laudo" na hora, tentei marcar (e consegui, ok) o resto do exame praquele dia mesmo.

momento Venuss: clínica que atende trabalhadores admitidos e demitidos e tinha revista novinha na sala de espera. ponto a favor. (já vi consultório chiquérrimo com revistas podres) mas eram todas Veja, a não ser por uma Caras. milhões de pontos contra.

o taxista, que era outro, me levou até literalmente a porta da outra clínica. subiu a rampa e tudo. andou um bairro inteiro e me cobrou 6 pila.

a cidade é fofa. bonitinha. me lembrou Pelotas, mas com o jeito de cidade da serra.

na clínica de medicina do trabalho, onde o exame prometia ser mais bizarro (exame adimissional, segundo todos pelos quais já passei: mil perguntas num questionário sobre tudo, inclusive "tem zumbido?" - "tenho. ando zumbindo todos os dias, porque sou uma abelha alegre" ou "não, só vozes na minha cabeça" - no qual tu responde sobre todas as doenças e dores e males e manias e tais que tu tem, ou não. e aí o médico te mede, te pesa, te escuta o coração, te mede pressão e te pergunta a confirmação de todas aquelas perguntas que tu respondeu antes, na sala de espera, numa prancheta.), tinha mais ou menos um ano e meio de CARTA CAPITAL (o mais recente ano e meio) e mais uns 6 meses de Época (menos pior que Veja) e mais jornal do dia e folder de sei lá o que.

momento Venuss mode off.

aí fui pra faculdade. taxista simpático. atravessei a cidade de taxi. aí fui comer e entregar documentos e fazer xixi, não necessariamente nessa ordem. com um picolé na mão, sozinha, no meio do saguão da facul, me aborda um sujeito. calça social, camisa social azul claro e um adesivo com um número de candidato estampado, no peito. cara de assessor de campanha. cara de politiqueiro. conheço o tipo só de olhar o cara de costas. aaaaanos de experiência. se aproximou de mim com aquele papo "vou falar de uma coisa como se fôssemos velhos conhecidos e aí vais me achar simpático". deve ser uma abordagem do gênero da neurolinguística dos infernos que o Manson usava. comentou sobre o chocolatinho que eu estava comendo e disse: "e o café com leite e o sanduíche?!" pensei, imediatamente: ele me confundiu com uma adolescente e tá questionando meus hábitos alimentares pensando que eu - DE ONDE ELE TIRARIA ESSA IDÉIA, VISTO QUE TENHO ESSE TAMANHO TODO, NÉ? - só como porcaria.

falei: "nah, acadei de lanchar, isso é a sobremesa"

aí ele pergunta qual curso eu faço.

ok, pensei. legal o elogio, achando que eu sou graduanda. assim, uns 22 aninhos? beleza.

"eu dou aula na publicidade", eu digo.

cara de espanto. engasgou.

"tu é formada por onde?"

"jornalismo, católica de pelotas"

aí, e eu já tava achando que ele tinha perdido o discurso, porque devia estar preparado pra falar de um candidato assim, pros alunos, e tal, e ele pergunta:

"e tu trabalha onde, com jornalismo?"

ok. logo vi. candidatos e afins adoram jornalistas. eles logo ligam lé com cré e pensam que podem tirar um lucro dessa relação. mas eu:

"não trabalho com jornalismo, eu faço doutorado e dou aula"

apesar do que pode parecer, eu estava sendo BEM SIMPÁTICA. porque eu sou cara de pau em termos de ironia. me faço de burra, idiota e quando o cara começa a falar eu só dou nos dedos. mas continuo me fazendo de burra e idiota.

e aí ok, a conversa se esvaiu, ele encontrou outra pessoa da faculdade e foi tratar de assuntos outros e eu continuei meu caminho (o da biblioteca).

tá, mas aí dei aula, tomei café na sala dos profes, dei mais aula, saí de van da cidade, não consegui dormir (mas fui quase toda viagem discutindo filosofia com um doutor da área, coisa que eu sempre gosto) e cheguei em casa tardão, pra variar.

e aí hoje acordei sem todos os meus músculos, nem ossatura, nem cérebro. e estou aqui tentando me recuperar. e preparando aula pra hoje de noite. e lavando roupa (a máquina lavando, claro).

é isso.

ok. pode ir embora que acabou o post.

[ Penkala ] 10:20 ] 1 comentários

 
] sábado, setembro 27, 2008
 
Medo e delírio no(do) supermercado

Não é todo dia que eu entro no supermercado inspirada na bizarria. Mas como hoje estava com uma leve hipoglicemia, meu eu menos racional aflorou e só o que pensei foi bobagem, embora tenha lembrado de trazer sabonete, tomates e iogurte pra casa. Mas o super também não ajuda, né? Só bizarria nesse sábado de multidões fazendo compras descontroladas.

Primeiro, estava eu conferindo os DVDs em promoção quando me deparo com isso:

Mickey esquartejado

Todos enxergando muito bem: é uma promoção onde tu tem que comprar os DVDs todos pra completar um Mickey. É simplesmente uma prateleira repleta de caixas com DVDs e pedaços de Mickey junto. Tu compra a cabeça, e cada uma das mãos em separado, depois a bunda... e as perninas eu não vi por ali, o que indica que não apenas a coisa tá promovendo pedaços de Mickey, irmão do Dexter style, como está vendendo um Mickey que não tinha pernas... Me detive ali tentando tirar uma foto que melhor traduzisse a bizarria... e um cara, do supermercado, ali me cuidando...

Aí nos deparamos depois com uma coisa que me fez pensar: médicos plantonistas de PS, ou socorristas, sei lá, precisavam tem um catálogo de coisas bizarras que, digamos assim, as pessoas se enfiam em si mesmas. porque bye bye garrafa de coca-cola, ou vidro de maionese. isso sim deve vogar entre os adeptos da prática:

bye bye garrafa de Coca-Cola!

tamanho e anatomia perfeitos, mas no catálogo de silhuetas de coisas botáveis pra dentro estaria no nível 1 de urgência, porque pra tirar um troço desses deve doer, visto que a tampa deve voltar rasgando...

[ Penkala ] 19:31 ] 2 comentários

 
] sexta-feira, setembro 26, 2008
 
nunca concordei com certas organizações de prateleira de locadora de filmes. grandes dramas italianos estavam na parte das comédias (entendam: A COMILANÇA é um drama. é engraçado, mas é bem triste). filmes de terror como O ILUMINADO estavam nas mesmas prateleiras que porcarias como PÂNICO (algo que, veja, não assusta ninguém nem fudendo... se bem que assim me assustaria, acho)

mas com o advento do poder de compra de vhss e dvds, surgiu toda uma nova oportunidade na minha vida. num universo de tags bizarras, eu sou a rainha das minhas partilêra:

1. clássicos (de acordo com o cânone, filmes até os anos 50)

2. novos clássicos (filmes como ERA UMA VEZ NO OESTE e A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM, que são do fim dos anos 60)

3. clássicos da sessão da tarde (inclua aí a coleção de SUPER HOMEM, o E.T. e, lógico, o improvável mas pra mim imperdível ROCKY, que - arrém! - eu ainda não ganhei, e olha que eu nem quero o último, hein? só até o ROCKY V)

4. clássicos do corujão (onde só não entra 2001, UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO porque esse está na tag "Kubrick", mas da qual faz parte, óbvio, ... opa. como assim? todos os clássicos do corujão já têm tags, tipo "terror de verdade" e "novos clássicos")

5. terror de verdade (onde estão unidos filmes que fazem a gente se borrar, não interessando se tem sangue e tripas - no filme, entenda - ou só ozolhão da Sissy Spacek, que, aliás, vem junto com sangue, se é que vocês lembram de CARRIE, A ESTRANHA, ou só ficavam com a mão na cara quando o filme rolava)

6. Tarantino (auto-explicativa essa tag)

7. Kubrick (ídem ao 6)

8. Chaplin (ídem ao 7)

9. Sci-Fi com classe (que se divide entre THX 1138 e FAHRENHEIT 451)

10. filmezinho índie (LITTLE MISS SUNSHINE e JUNO rules aqui, mas também A FAMÍLIA SAVAGE e qualquer filme com o Paul Giamatti)

11. ok, uma só pro Philip Seymour Hoffmann (onde, se eu tivesse MAGNÓLIA, estariam misturados este, NINGUÉM É PERFEITO, PATCH ADAMS, CAPOTE e LOVE LISA. puta merda, a tag "filmezinho índie" acaba de perder um dos integrantes!)

12. de guerra (porque eu adoro)

13. brasileiro (porque estudo)

14. documentário (onde os "brasileiro" e "de guerra" também estão, virtualmente, presentes)

15. orientais (toda uma estética específica)

16. de música, mas não musicais (é, aqui tem QUEEN AT WEMBLEY disputando espaço com TOMMY, que é musical e deveria estar junto com estes, pero é filme de banda, então...)

17. língua espanhola (único momento pra reunir LABIRINTO DO FAUNO e AMORES PERROS)

18. eslavos (porque em casa de polaca-croata, dizer que filme checo é europeu é pra quebrar os canecos. porque veja lá, Holanda e Grécia são europeus, e aí?)

19. norte-americanos bons (é. porque os ruins eu simplesmente desconsidero, e seriam muitos também, apesar de que os bons estão espalhados em "clássicos da sessão da tarde" e "clássicos do corujão" e "novos clássicos". aliás, os ruins eu sequer tenho, né?)

e chega, tá?

ah, e:

20. Trinity (ídem ao 7)

[ Penkala ] 18:57 ] 0 comentários

 
] quinta-feira, setembro 25, 2008
 
e eu juro que não sou chata, nem bossy, nem luvinha-branca-pra-conferir-pó, e nem patty histérica que gosta de escravidão faxinal e chicotes

caos nas bancadas, caos nas estantes, brinquedo, livro, bilhetinho, pote de bala, balde da coca-cola com calculadora, memória, tesoura e a Cuca (do Sítio do Pica-Pau amarelo)... duas moedas cubanas... tem coisas que só a gente pode organizar...

aqui embaixo o/a vizinho/a continuava, até início da tarde, a ignorar meus apelos por um mundo melhor: ele começou a manhã com um sertanejo muito, mas muito podre e terminou a ladainha (depois de meus calcanhares se partirem, de tanto bater pé pedindo pra parar com aquela merda) com um tunti-tunti dos mais chinelos.

ao lado, a oficina.

aqui dentro, a dor de dente (quem diz que eu já marquei o arranque do dente? quem diz que siso tem mãe, coração, alguma ética e piedade? quem foi que disse mesmo que dor de dente só não é pior que dor de parto?) latejando, a dor de cabeça (porque eu resolvi parar com o remédio porque tava começando a ficar com medo de viciar) me deixando incoerente, de tão alucinada, e eis que eu olho pra estante e resolvo que aquilo ali tava por demais desarrumado.

não sei onde andam meus livros. todos em pilhas, por baixo de xeroxes, de pastas, de planilhas, de folhas de chamada e trabalhos dos alunos.

e fui arrumar as estantes.

comecei tirando os dvx e os cds de música delas e transportando tudo pro rack. aqui, minha primeira surpresa: poeira sobre todos os cds de música (as caixas dos cds, veja, dessas coisas que não se faz mais, cds de música comprados em loja, com encarte e tudo... coisa do final do século passado). a caixinha com dois cds do Led branca de poeira. a lata do BBKing, idem. meus Anthology e Álbum Branco, duplos, totalmente tapados por uma camada fina de pó.

eu pago uma pessoa a cada 15 dias justamente por causa desse pó. do pó que se espalha por cima dos filmes, dos cds, dos discos, dos rolos de película, dos livros. mas a pessoa simplesmente só acha que seja necessário passar pano na estante. a estante ela mesma. uma capa de livro contra outra capa de livro produz um ruído que me dá nevralgia. e não a nevralgia que a enervação do maldito siso faz correr no lado esquerdo da mandíbula inferior. nevralgia de ouvir a poeira gritando entre as capas.

alguns livros ficam deitados, porque eles seguram a fileira de livros em pé, pra que eles não caiam e se espatifem pra fora da estante. nos deitados o desastre é maior, porque a capa deles tá direto em contato com a poeira. uma camada fina e branquicenta de poeira, dessas que a gente vê que estão descansando bem uns dois meses...

mais uma vez: eu pago uma pessoa pra que, de 15 em 15 dias, dê conta desse tipo de coisa: a poeira.

aí os livros deitados. bom, veja que é preciso que a lombada deles fique visível. veja que é necessário saber que livros são esses. veja que isso talvez seja difícil de compreender. porque todas as pilhas de livros que ficam deitados estavam com as lombadas viradas pro fundo da estante. ou pro lado dos outros livros. de modo que eu via o calhamaço de folhas, mas não sabia que livros estavam ali (a não ser por uma fina e arguta análise do objeto, que é familiar, e talvez seja um dos da Ágatha Christie... pelo tamanho deve ser...). será difícil compreender esse tipo de coisa? porque eu realmente acho difícil mesmo compreender que uma pessoa não saiba que lombada de livro seja feita pra se ver.

no caso dos filmes, a coisa tem sido pior. eles, logo eles, que são facilmente limpos, basta passar um pano na tripa longa que eles formam ao longo da estante. todos do mesmo tamanho, com caixa de plástico. os que estão fora disso, empilhados na horizontal, são os que minha preguiça não permitiu colocar de volta em ordem. a cada terça de aula eu levo uma pilha deles pra mostrar algum exemplo pros alunos. quando volto, não coloco na ordem certinha. e é por isso que os deixo deitados, na frente dos outros. nem esses sofrem ação de pano, já que estão com poeira, agora vejo. da última vez, no entanto, a pessoa simplesmente colocou a maioria dos deitados na mesma organização dos outros. só que em qualquer lugar. custo a achar os títulos agora. o mesmo procedimento de esconder as lombadas dos que permaneceram deitados foi realizado nos filmes, o que fez com que eu enxergasse uma pilha de caixas pretas e ficasse me perguntando se são mesmo os Tarantino ou se é outro grupo de filmes aleatórios.

e nas prateleiras altas, onde os filmes estão na beira, que é pra gente poder pegar e enxergar, todos eles voltam, a cada 15 dias, a ficar encostados no fundo, na parede. tenho que subir duas vezes num banquinho e puxar todos eles pra frente. duas vezes. na primeira arrumo até onde alcanço, aí desço, vou com o banquinho até um metro pro lado e arrumo o resto. a cada 15 dias. e é quando eu sinto a poeira na mão. a estante está limpa, mas o topo dos filmes está colecionando o pó de várias semanas.

poeira nos filmes não é romântico.

eu digo, sempre que a pessoa chega, as coisas mais básicas. primeiro eu dizia: dá uma geral no pó do banheiro, que a umidade vai colando a poeira e fica tudo melado e preto. "tira o pó geral, né, claro... e aí dá uma atenção pra tal coisa", como quem diz, no ar, que não precisa dizer que é necessário tirar o pó.

a área de serviço é um outro problema, porque parece que é pra lá que as vassouras vão no final da faxina, mas não é naquele chão que as vassouras passam. e nem os panos. e nem nada.

acho que sonhei alto o dia que fiquei imaginando: o dia que eu conseguir pagar uma faxineira, além de poder descansar quando normalmente acabo tendo que fazer limpeza, vou poder estudar, trabalhar e até caminhar numa casa onde as coisas estejam magicamente limpas, como eu jamais consegui ter saco e nem tempo e nem força pra limpar.

sonhei.

e teve o caso da clorofina, porque sempre tem um evento envolvendo clorofina. sendo comigo, a clorofina sempre arruma um jeito de se manifestar. no primeiro dia que ela viria, atrasou horas. e aí a filha avisou que ela só viria no dia seguinte porque foi ao posto de saúde porque estava intoxicada por causa da clorofina. quando ela veio, eu, pra quebrar o gelo, disse: bom, aqui tu não precisa ter medo, porque tenho alergia e não posso nem com o cheiro da clorofina. (eu tenho clorofina pra casos absurdamente especiais, os quais nunca envolvem emanação de cheiro pela casa e nem interação com as minhas roupas, que são, sempre, escuras, salvo raras mais claras (normalmente brancas)).

duas semanas depois disso a casa estava fedendo, porque ela disse que ia ter que usar clorofina no teto do banheiro (vazamento do vizinho preteou meu teto). eu disse que no teto, ok. mas o banheiro já estava fedendo a clorofina fazia uma semana. foi quando eu vi a tinta dos azulejos (pintados com tinta epóxi branca, pra azulejo, que os originais eram marrons, horríveis) esburacando, melada ao toque (derretendo) e uma toalha, que acaba roçando na parede, com manchas de descoloração.

ela tinha deixando a clorofina escorrer pelas paredes pra deixar limpos os azulejos.

que parte do "só o teto" eu tinha falado em basco?

e tem o caso "lixo limpo", que ainda é um problema muito sério. pra mim é sempre um problema muito sério quando eu falo em alguma língua morta, em dialeto, e não me dou conta. no primeiro dia: "aqui a gente separa o lixo", e ela "é, eu vi" (nota-se pelos dois cestos de lixo que estão na cozinha. e ela falou como se não precisasse de further explanation). mas nenhuma vez, desde esse primeiro dia, o lixo da cozinha permaneceu separado até o fim da faxina. frascos e frascos de plástico junto com os papéis do banheiro, papel cortado e caixas de pizza misturadas com lixo orgânico. tudo em sacolas devidamente amarradas, prontas pra ir pra lixeira, no horário de coleta normal.

qual. parte. do. "aqui a gente separa o lixo". eu. pronunciei. como. um. catalão com tourette?

mas a última foi a melhor de todas. apenas duas coisas são de madeira escura na minha casa: uma mesinha de canto e um rádio antiquíssimo. o resto é tudo mdf laminado em branco ou laqueado em branco. e a mesinha e o pobre rádio antigo, que é uma relíquia que hoje serve de pouso pra garrafas de conteúdo etílico, estavam opacos e, olha que lindo, ásperos ao toque.

fim de semana, depois da penúltima faxina, passei um pano úmido, limpo, achando que o que era passado ali era um pano úmido já cheio de pó do resto da casa. e saiu uma coisa espumando daqueles móveis. e eu lavava o pano, passava no móvel de novo, e continuava a sair aquela coisa branquicenta e espumante.

quando a pessoa chegou, duas semanas depois, e os móveis já estavam devidamente recuperados, com uma limpezinha de pano úmido limpo, que eu fiz, algo simples e singelo, comentei o ocorrido, perguntando o que ela passava nos tais móveis. "lustra-móveis", respondeu.

eu nunca comprei lustra móveis. não gosto do cheiro e nem do resíduo oleoso que ele deixa nos móveis.

mas me fiz de louca e perguntei: ué, será que não é outra coisa dentro do frasco de "lustra-móveis"? e fui indo pra área de serviço. ela apontou pro frasco de sapólio cremoso. do tipo que diz SAPÓLIO no frasco. do tipo que tem consistência de sapólio cremoso, cheiro ídem e, vejam, faz espuma feito sapólio cremoso. mas o sapólio cremoso, veja, diz no frasco que "dá brilho...".

talvez eu encontre gráficos na internet que expliquem didaticamente a questão: móveis ásperos, esbranquiçados e espumando ao se passar o pano úmido.

...

mas ela tem toda uma nóia com as janelas. limpa os vidros todas as vezes. a coisa com que eu menos me preocupo, e ela limpa sempre, como se em PoA fosse comum garoar poeira lunar ou chover cocô. tempestades com rajadas de vento e tudo.

[ Penkala ] 20:51 ] 5 comentários

 
] terça-feira, setembro 23, 2008
 
falta de tempo total. ou preguiça duma figa. não sei, mas estou começando a fase antisocial do doutorado (se é que todas as minhas fases na vida não foram, na verdade, antisocial). porque tem essa fase, né? a gente vai ficando apavorado e, da fase procrastinadora passa pra de fuga total da vida online. agora bateu medão.

e tem os aluninhos, né? e o orientando, também. os aluninhos de linguagem cinematográfica, que são 33, um orientando estudando um assunto bem legal e com data super pra ontem pra enviar a mono e 11 alunos que recém assumi de arte e criação publicitária. assumir disciplina nova tem dois problemas (fora assumir a turma em uma faculdade que não conhecia, e com o semestre já em andamento): 1) aprender o funcionamento dos conteúdos em sala de aula; 2) retomar todo o conhecimento que tu tem, na prática, pra poder passar a teoria aos alunos... ou seja: além de cinema e cultura, no momento estou estudando muito design gráfico, teoria da propaganda e toda essa gama de teoria que envolve arte e criação em publicidade.

aí hoje cheguei aqui só pra largar uns tips bem monguinhas, e acabei falando de acadimia.

mas os tips monguinhas, então:

paps voltou de Cuba e esteve aqui na semana passada. me trouxe de presente uma camiseta do Che. lá as camisetas do Che são vendidas só oficialmente, porque eles consideram um desrespeito à memória do Che fazer da cara dele um produto de camelô, pra turista levar de lembrança. desrespeito à memória do Che é fazer do rosto dele uma estampa de roupa oficial, controlada pelo governo, uma vez que estamos, em Cuba, numa ditadura socialista e a última coisa que o governo devia fazer era controlar o comércio de um ícone cultural. mas enfim... sem entrar em méritos ideológicos... mais uma camiseta com a estampa do Che, que eu não vou usar por moda, mas por ideal:



aí a Nika, que tava de aniversário este mês, me deu um "All Star" (genérico). Eu achei EMO, e disse pra ela... mas pra minha sorte, os EMO não usam esse, usam os que não têm cadarço e nem biqueira de borracha (porque EMO não sabe amarrar tênis, provavelmente):



e a mãe, que ainda acha que sou o nenê dela, me deu uma meia de vaquinha, com anti-derrapante (porque eu sou destrambelhada e sempre caio). aliás, a meia e o tênis Emo combinam com o chão do banheiro e da cozinha...



e o marido, que se apaixonou pelo Wall-E, me deu o estojo do filme, pra eu acomodar minhas canetinhas coloridas:


[ Penkala ] 12:22 ] 1 comentários

 
] quinta-feira, setembro 18, 2008
 



What Your Purple Umbrella Says About You



When faced with adversity, you remain together and graceful.

You are very balanced, and it's hard for you to let yourself get too down.



You are brainy and philosophical. It's hard for you to lose your broad perspective on life.

You accept things as they are. You don't try to change anything that can't be changed.



On a rainy day: you should spend the day reading

The Umbrella Test


BRAINY, ME? ok...

[ Penkala ] 18:06 ] 0 comentários
 
 
(tirinha editada. o resto dela foi cortado porque não tinha nada a ver com a minha idéia a ser postada aqui. embora falasse do COLIDER e eu ache que só mesmo o fim do mundo pra me livrar desse maldito exu tranca-tese)


Explicando:


Seria supimpa se eu realmente tivesse uma máquina que ao menos dissesse que algo não foi achado. eu pararia de procurar e iria dormir.








Eu teimo e vou pros teóricos. porque eles devem saber, né?, muito mais que eu. eles engasgam com chá quente e me perguntam se tem mais bolachinha de polvilho. sobre os dentes da frente eles ficam com uma camada de pasta de bolachinha de polvilho. tão não legal isso, viu?





É, não achar nada significa muito. significa que tu é muito burro, que tu não presta pra coisa e que tu perdeu um tempo enorme engordando quando, numa saída estratégica pela direita um corpinho como o que tu tinha com 20 ia te ajudar a tomar novo rumo na vida.







Ai, gostei tanto do bichinho que levanta os bracinhos e diz "me pegou" que eu nem vou ficar falando que sim, que amor, que fofinho!, esse podia ser meu objetinho de pesquisa e eu levaria ele pra casa e compraria uma casinha fofa pra ele.










É, a culpa é de eu não ter um trabuco maior. porque se eu tivesse, ah, se eu tivesse, já tinha feito essezinho, objetinho duma figa, sumir do mapa. a questão é que eu não sei expandir as fronteiras. eu só quero dormir encolhidinha na minha cama com o travesseiro na volta da cabeça pra não ouvir nada e sonhar que estou voando e essas coisas. confiança? quem é a pessoa doente que acha que pesquisador tem confiança? que vai ter, um dia? se tivesse confiança, ia lá e se inscrevia pra ganhar o prêmio esso. e eu não quero ter certeza do que está e do que não está lá. eu sei que tá lá. eu sei. mas a lanterna que eu comprei veio sem pilha. e eu não tenho saco de sair pra comprar pilha agora, entende?

não?

é. nem eu.

[ Penkala ] 16:03 ] 1 comentários
 
 
dizer que ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (filme de Fernando Meirelles baseado na obra homônima do Saramago) é um filme forte é muito pobre. irresponsável, até. porque não é um filme forte, não. é um filme duro, isso é. mas não é forte porque a realidade está ali, tal qual como vemos. ou deixamos de ver. o mérito de Saramago neste que é um dos principais livros do século XX não é outro que não o mérito maior dele: enxergar. Saramago enxerga a humanidade como talvez muito, mas muito poucos sejam capazes. E esse poder é tamanho que nem os mais reacionários, nem os mais cínicos, nem os mais idiotas são capazes de levantar voz contra o que ele é ou diz. Porque, como um velho de 890 anos, ele viu tudo, vê tudo, sabe tudo e compreende tudo. E, como um jovem de 16, ele critica.




ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA não é senão a mais óbvia e mais perfeita metáfora sobre a humanidade. isso, de ser óbvio, tiraria seu mérito (não o literário, que Saramago tem uma das melhores e mais elegantes escritas da história) não fosse o fato de que a maioria das pessoas sequer compreende o que ele está dizendo aqui, que dirá achar óbvio.

porque pra mim não há nada mais próprio que chamar ao que estamos vivendo há décadas de cegueira. não a cegueira mais óbvia ainda de não vermos os pobres, os desesperados, as guerras, as obscenidades. a cegueira vil de quem não enxerga absolutamente nada, ainda que a luz esteja por toda parte. as luzes não se apagaram. pelo contrário, elas se acenderam todas juntas. e somos cegos estúpidos topando em quinas de mesas que não existem. escorregando, pelos cantos, em nosso próprio excremento. desesperados pela impossibilidade de ver, nos tornamos todos muito feios. uma feiúra que os outros, tão feios quanto, não enxergam. a não ser quando nos toca.

por muitas vezes me peguei pensando, como no momento em que a esposa flagra o marido médico transando com a ex-prostituta, que bondade tem limites e que se fosse comigo, eu matava. depois, tirando a carapuça de quem sempre vive pensando "se fosse comigo", imaginei que se fosse comigo, eu talvez não fosse, na realidade, a que enxerga. não por falta de "bondade". não que aquilo fosse bondade, ela "perdoar". eu não estaria enxergando porque me veria como alguém que, ao contrário dos outros, enxerga muito bem. eu estaria no lugar de superioridade que a extrema bondade esconde nessas pessoas que são puro altruísmo. a esposa não foi boa ao perdoar. ela sequer perdoou. ela simplesmente, com os olhos que tinha, via naquele homem, assim como em todos os outros ali dentro, não mais um homem, mas um ser que é capaz de gritar por um pedaço de pão, mas não é capaz de limpar as próprias fezes do chão.

se ninguém em ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA tem nome, não é porque isso é estilo do Saramago, mas porque não existe como dar nome a absolutamente toda a humanidade. o que importa, se ali estão todos aqueles que não somos nós e, ainda, todos nós?

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA é um filme que mostra a nossa própria incapacidade de enxergar. tenho até vergonha de dizer isso aqui como se fosse, assim, um insight. o triste é que filmes como esse são alvos da prolixa sabedoria dos intelectualóides enquanto que estes repetem, pra si mesmos, sem que ninguém ouça, que acharam óbvio de mais.

mas é claro que é óbvio. o óbvio é ouro em terra de imbecis. o olho não é título em terra de cegos? pois eu sinto muito avisar, mas mesmo os que acham que compreenderam o filme, ainda estão cegos. porque a cegueira branca é aquela que cega por insistência da visão. é aquela que cega depois de tanto pedir pra ver. é aquela que faz de um olho são um olho cego porque de tudo o que havia pra ser mostrado, tudo já foi mostrado. os cegos da cegueira branca são cegos porque acham que tudo está aí para ser visto, que já viram. não se furtam em dizer que já viram. apressados, já vi, já vi. a cegueira branca é luz.



a cegueira que Saramago descreve como um documentarista, e que Meirelles mostra como um Eisenstein histérico no esforço de dizer a verdade, essa cegueira é a luz primeira, a luz que primeiro nos deixa tontos, depois nos ofende as vistas, depois, ainda, nos queima a retina pra, dum momento para o outro, iluminar de tal forma o mundo que seria capaz de fazer a luz do dia durar 24 horas.

calvário não é o da cegueira. é o de quem, podendo ver, precisa compreender a condição de cego, precisa tropeçar, fingindo espanto, precisa se deixar levar pelas guias dos que não sabem outra coisa se não rodar em busca do próprio rabo, e aí, fingir que não enxerga. calvário é o de quem precisa anular a si porque os outros viraram incapazes. ou sempre foram e só agora assumem. calvário é o de quem já percorreu os caminhos mais difíceis, volta a ser simples, enxerga tudo pela frente e ainda assim é tomado como básico, enquanto que na verdade é a única chance de visão.

quando a esposa está pouco atenta ao papo do marido, está mais preocupada em fazer tiramissu, em bater o merengue, em servir a mesa, tomar um vinho que não faz dela menos atenta, todos pensamos que ela é simplória. se nós tivéssemos visto tudo, e nossos olhos enxergassem com tamanha clareza, estaríamos todos mais preocupados com o tiramissu que com qualquer outra coisa.

a óbvia crítica ao Estado, que é de lei em Saramago, "parece" mesmo passar batida no meio de tanta coisa. mas o filme é certeiro quando mostra a ministra da saúde achando que é como todo mundo, também por causa da cegueira. se é na cegueira que ela pensa que se iguala a todos, é mesmo na incapacidade de ver os outros que ela se coloca lado a lado com cada idiota sem rumo que perdeu a visão. se igualando aos outros ela, ao contrário de mostrar empatia, demonstra que sim, como os outros, ela não enxerga um palmo além do nariz. metáfora disso é seu pronunciamento, vestida de branco, para a televisão. quem é o incapaz de raciocínio que chega ao cúmulo de usar a TV para informar cegos?, chegam a se perguntar os quarentenados.

por que a esposa vai com o marido pra quarentena, embora esteja livre da doença? não é tão óbvio quanto pensar que ela queria cuidar do marido, que sem ela ele estaria perdido, apesar de ser ele um "curador de cegueiras". tenho duas hipóteses, as quais podem estar juntas: ou ela estava torcendo pra ficar cega também, porque só assim compreenderia a estupidez de todos os que não enxergam; ou ela foi porque simplesmente não faz diferença: para os que enxergam, é viver numa prisão, num regime escravo ter que servir de guia. pra ela tanto fazia ir com ele ou ficar. ela só seria livre quando todos enxergassem mesmo... e isso só dependeria de suas vontades murchas.

quando, ao final do filme, a esposa pensa ter ficado cega, olhando pro céu tão branco e estupefata de que os cegos todos finalmente começariam a enxergar, não era por medo de ficar cega, mas por medo de estar tão cercada por cegos que pudesse pegar deles a triste doença de não enxergar.

neste momento eu acho que o Fernando Meirelles deve se sentir um rei, porque até Saramago ele mesmo, com uma generosidade honesta que só os mais críticos podem ter, afirmou que o filme é tanto quanto o livro. e ser capaz de mostrar a cegueira no cinema não é pra todos. ter só Cidade de Deus, O jardineiro fiel e Ensaio sobre a cegueira no currículo já bastaria pra ele morrer como um dos melhores diretores de cinema do século XX.



"a única coisa mais aterrorizante que a cegueira é ser a única que pode enxergar..."

...

"Desta vez, a expressão do pessimismo de um escritor de Portugal não vai manifestar-se pelos habituais canais do lirismo melancólico que nos caracteriza. Será cruel, descarnado, nem o estilo lá estará para lhe suavizar as arestas. No Ensaio não se lacrimejam as mágoas íntimas de personagens inventadas, o que ali se estará gritando é esta interminável e absurda dor do mundo." (SARAMAGO, José. Cadernos de Lanzarote - Diário III. Lisboa: Caminho, 1996. p. 58)

[ Penkala ] 13:39 ] 4 comentários

 
] quarta-feira, setembro 17, 2008
 


tão diferentes e tão importantes que eu jamais seria capaz de falar deles aqui assim, só numa passada. vou ficar devendo um texto melhor elaborado sobre



e sobre esse filme, que é véio, e eu comprei porque faz parte da minha tese:


Um filme para Nick

e nem sobre esse, que fui ver ontem:




só um breve comentário mundano:
ir pro Cinemark meia hora antes pra pegar lugar estratégico pra não ficar birolha vendo o filme (e pra poder ver tudo, sem ficar como se tivesse assistindo à prova de tênis de mesa, nas Olimpíadas) não dá. durante meia hora tu fica sendo submetido à maltida "rádio" Cinemark/Trama. quem, meu deus, quem disse pra esses porra que aquelas músicas prestam, cacete?

aí tu vai pra sessão das 22h30, porque é a única que dava pra ir porque tu chegou 20h30 da aula, e aí tu fica 20 minutos, vinte-e minuto-os vendo propaganda. propaganda. de carro, porra! dois trailers e o resto todo daquelas porra de propaganda, caralho! o ingresso já é bem caro, né não? e se eu quiser ver propaganda, eu vejo na porra da minha TV em casa, onde tem mais tempo de propaganda que de programas. eu tou num cinema, caralhos! eu quero ver filme. quero ver trailer, no máximo. eu aturo até aqueles avisos do cinema, porque infelizmente ainda é necessário avisar aos otários que desliguem o celular, não falem durante o filme e ponham a bosta do lixo dentro da lixeira. mas quase 20 minutos de propaganda? pro filme começar quase 23h?

e aí que ontem era dia de namoradinhos irem pro cinema pra ficarem se amassando.

nada contra, é óbvio, namoradinhos no cinema. é o conceito que me irrita, sabe? namoradinhos que vão ao cinema como parte daquele programinha idiota de namoradinhos. porque só quem eu pego nessas sessões é namoradinho que vai ao cinema pelo clichè. porque eu, enquanto namoradinha, adoro um cineminha. mas eu vou pra ver o filme. se for pra amasso, eu pelo menos fico quieta. porque amasso ocupa a pessoa, sabe?

mas não, primeiro um casalzinho clichè na entrada da sala. o cara comenta, olhando pra TV que passa o trailer de VIAGEM AO CENTRO DA TERRA: "a gente deveria era ter vindo ver esse!". ele tava indo ver o que? ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, claro. e ficou falando merda, claro.
depois foram os dois casaizinhos clichè atrás da gente. o bem atrás ficava comentando coisas imbecis em voz alta e prevendo coisas. outro, mais afastado, fazia parte da classe que, se sabe que eu vou ao cinema, vai atrás. não tem sessão em que eu não pegue o tipinho "namorado fortinho, namoradinha paty". a namoradinha paty sempre fica falando merda e reclamando de tudo. e no fim, feixa um monte de porcaria no chão e nas cadeiras, porque ela não entendeu onde fica a lixeira.

então desculpa, Saramago, se eu sujei esse post falando de coisas tão terríveis. se bem, né?, que com esse filme, e com o teu livro, tu só me dá razão: seres humanos são capazes de muita merda. sempre.

[ Penkala ] 19:43 ] 0 comentários

 
] terça-feira, setembro 16, 2008
 
mês passado e este estou sentindo um doce gostinho de justiça feita. acredito até mesmo que minha capacidade chegou ao extremo de eu mudar algumas leis burocráticas com a força do pensamento. fato é que quando fiquei sabendo de uma situação extremamente injusta, enlouqueci de tanta raiva. e essa raiva me tornou ninja na arte de rogar praga.

morram aqueles que ficarem falando que raiva não faz bem. todo ser humano tem raiva, é natural e perfeitamente justificável quando se vê, impotente, coisas acontecendo que deveriam ser consideradas no mínimo nojentas.

primeiro passei pelo estágio da pura depressão, no qual chorei litros pensando na situação absurda e no quanto aquilo me aviltava pessoalmente. depois, já psicótica, passei a acreditar que uma praga bem rogada poderia ser capaz de mover montanhas. e eis que me flagrei rogando a mais terrível praga que pode atingir uma pessoa desclassificada, desqualificada, cretina, mau-caráter e, ainda por cima, burra feito uma porta: que a justiça seja feita.

roguei. roguei com vontade. roguei com fé inabalável. roguei feito uma Joan Crawford de cara quadrada e olho vidrado.

no mês passado achei que tinha mais era que me colocar no meu lugar, porque a pessoa "conseguiu" o que queria. não a custa de esforço. não a custa de batalha. não a custa de inteligência. conseguiu, e conseguiu ainda os itens opcionais, todos eles de alto luxo, por conta de uma coisa que delicadamente chamaria eu de rabo. as in "rabo virado pra lua". mas que aqui, como estou sendo, e com orgulho, má, por conta de uma bunda cretina ou, mais ainda, um rabo da mais baixa estirpe.

qual não foi a minha surpresa quando descobri, agora, que não apenas a pessoa perdeu parte dos opcionais e por conta disso se enterrou na lama como, por conta da minha praga ou do bom senso de alguns burocratas de uma certa instituição e outros do governo, a pessoa não apenas perdeu o que ia ganhar (apesar do ganho ser injusto e, a meu ver, abusivamente anti-ético) como ainda vai ter que colocar o rabo entre as pernas porque vagabundagem tem limite e não é porque o Brasil é esse país onde o cu de todo mundo honesto é cu de bêbado que não tem, em algum momento, uma luz que faça certas pessoas enxergarem quanta sacanagem pode ser evitada se certas leis e normas forem feitas com inteligência e honestidade.

pobre pessoa. agora que minha praga deu certo, não tem limite pro que eu vou começar a rogar. porque eu posso até não conseguir as coisas que eu batalho pra ter (por leis como a de Murphy ou, ainda, por puro azar), mas gente cretina que vem ao mundo pra fuder com os outros também não vai ter. se a lei não esmaga gentinha assim, eu me contento com pequenas vitórias. mesmo que seja acreditando que virei uma rogadora de praga faixa preta.

[ Penkala ] 14:31 ] 2 comentários

 
] sexta-feira, setembro 12, 2008
 
eu sou da geração que foi pega pelo meio pela revolução da informática e da Internet. resultado disso é que a maioria de nós ainda mantém e até prefere certos hábitos que foram criados no tangenciável, material e orgânico mundo do papel. eu acho uma coisa muito bacana poder ter acesso a livros em meio digital, poder baixar livros em pdf, poder divulgar literatura na Internet. mas meu coração está com o livro de papel. são eles que eu considero troféus genuínos e dignos da estante. nada como o livro de papel, nada como ler em papel e nada como anotar em papel.

e aí, comentando hoje no twitter sobre o primeiro capítulo caneteado devolvido pro primeiro orientando, recebo uma resposta de professor com bem mais estrada que eu, pra quem o caneteado surte mais efeito corretivo que comentários no word. e é verdade. eu comento mais, sou mais rígida, exerço mais minha fé no ofício de professora quando tenho um texto em papel na frente e posso nele, com caneta vermelha, corrigir, revisar, destacar e até elogiar, por que não? no editor de texto do computador, me acanho. e como aluna, prefiro torcer papel e tirar dele o sangue das canetas vermelhas devidamente usadas pra corrigir meus trabalhos que abrir meu arquivo de texto e encontrar, em várias modalidades (sublinhagens, destacagens, coloragens), correções de todo tipo.

hoje, ao entregar ao meu primeiro orientando o primeiro capítulo da monografia devidamente caneteado em vermelho vivo, vejo no rosto dele, que está estudando o significado das cores no jornalismo, um misto de susto, medo, pânico, horror e vontade de fugir. acalmei ele esmiuçando aquele monte de setas que puxavam comentários. ele ainda estava assustado. comentou que aquilo não era boa coisa. deve ter pensado em desistir, diante de tanta riscalhada.

eu me lembrei dos meus pânicos. na mesma idade e torcendo pra passar sem danos nos órgãos vitais pela tão temida defesa de monografia de fim de curso, o famigerado (e saudoso) TCC. e lembrei que meu orientador era rígido, mas eu sentia falta do vermelho. ele usava grafite, um recurso elegante pra não estragar a estética do meu texto tão caprichosamente impresso em preto sobre branco. ele era, afinal, professor de estética. ele conhecia os gregos. ele usava o grafite e usava letra de quem estudou caligrafia.

(eu devo ter sido da última geração que estudou caligrafia. que teve caderno de caligrafia.)

mas eu sou a professora que eu construí em anos e anos de alunado. e disse que ele se acalmasse. ele, esse meu primeiro orientando. porque afinal, se eu não achasse que ele teria capacidade de melhorar, não teria gasto tempo, tinta e paciência com o caneteamento.

meu primeiro chefe, diante duma das minhas crises de stress, me disse que ele só me cobrava muito porque sabia que eu tinha capacidade de responder à altura. e vindo dele, isso foi uma lição valiosa de verdade.

acho que ele saiu aliviado. meu orientando, digo. e eu também. porque não acredito no medo como recurso didático. acredito, sim, que ele vai querer evitar ao máximo o vermelho berrante da minha caneta. e vai fazer cada vez melhor.

obrigado, senhor dos nerds, por me dar um primeiro orientando com capacidade!

[ Penkala ] 16:33 ] 4 comentários

 
] quinta-feira, setembro 11, 2008
 


a procrastinação tem rolado tão solta que qualquer bobice e eu tou me viciando. mas não é que esse blip.fm é legal? de repente eu descobri em mim mesma uma vontade mucho louca de ser sound colocator. e aí criei uma estação que só toca trilha de filme.

[ Penkala ] 19:27 ] 0 comentários
 
 
pois é, então o mundo não acabou. embora, é claro, tenha quase. imaginem tornadinhos em Triunfo e o pessoal cagado achando que era o fim do mundo por causa do LHC? pessoal tupiniquim tão não-acostumado com desastres naturais que nem sabe a diferença entre tornado, tufão, ciclone e furacão. mas tudo bem... foi um tornado ou uma microexplosão? ninguém sabe ainda, mas que LHC deixou muita gente borrado, ah, deixou. mesmo tendo o mínimo de chance de dar errado.

a questão é que choveu ontem em PoA como não acontecia faz tempo, e teve relâmpago que me deu medinhos. a coisa boa é que quando chove muito fica um silêncio aqui na quadra, porque nem os obreiros e nem a oficina do lado conseguem trabalhar.

...

aqui, o PHD comic do dia, pros colegas nerds que ficaram na expectativa de ver, ao vivo (mas não por muito tempo) um buraco negro:



pros que abriram os olhos hoje pensando "ufa!", a notícia é: sim, hoje faz sete anos que detonaram o WTC. o que será que os telejornais vão noticiar hoje... deixa eu ver...

hum...

[ Penkala ] 13:51 ] 2 comentários

 
] quarta-feira, setembro 10, 2008
 
e nunca vai ser possível educar o pedro...











se ele for assim, não vai dar...

* tirinhas daqui

[ Penkala ] 15:23 ] 2 comentários

 
] terça-feira, setembro 09, 2008
 
já viram a nova embalagem dos desodorantes Dove? não achei imagem, mas olhem no supermercado. é a própria EVA.

claro, foi eu enxergar aquilo na prateleira do super e gritei, pro michel, com voz de Wall-E: EEEEE-vah! não preciso dizer que um cara me olhou como quem diz: "bah, que retardada!". azar o dele.


mas não achei ainda a bonequinha pra vender. garanti, na semana passada, o meu Wall-E, que ainda não tirei da caixinha por pena. ele é praticamente todo estático, a não ser pelo pescoço.


[ Penkala ] 14:41 ] 5 comentários

 
] quinta-feira, setembro 04, 2008
 


primeiro capítulo, é? tenho que fazer um primeiro capítulo?



será que consigo?



por que eu fui inventar essa bosta?

[ Penkala ] 21:28 ] 5 comentários

 
] quarta-feira, setembro 03, 2008
 
o que é a avaria no célebro da pessoa, né? só quando eu recebo um pedido da Cultura (que eu tava dando pulinhos que tinha sido frete free) é que eu me dou conta de que já tenho o livro.

massa!

[ Penkala ] 20:55 ] 2 comentários

 
] segunda-feira, setembro 01, 2008
 
eu e a cozinha azeda

e ontem que eu acordo com as guampa tão virada que já tavam nas costa, com a cabeça explodindo, irritada com a TPM e com o nariz tubido. cheguei na cozinha e tava aquela coisa linda, e tinha uma panela de feijão que estragou porque não consegui comer todo porque tive crises de asia de não dormir por causa do maldito, e tinha penela suja all over e pratos até o teto e tal. aí me irritei e bufei e resolvi lavar a louça todo.

"não tem jeito de ser por mágica, né, sua louça puta dum caralho!?"

então lavei, né? e passei esponja nova com desengordurante onde "Paricida" não passou. e já me irritei com as coisas quebradas que eu não tinha visto, e com a cebola criando cebolinhas e com farelos e záz, e záz... e aí limpei toda a cozinha. limpeza light, né? que não sou doida de fazer faxina na geladeira e tal.

e um artigo me esperando, né? bastou a pessoa ter dois, três deadlines que a louça fica limpa que é uma beleza!

e aí resolvi fazer aquela comida que eu inventei com base numa receita tibetana que eu vi na TV.

já fiquei puta, porque na receita tinha vinho chinês e outras coisicas que eu não encontro assim, fácil, né? bom, e aí tava tudo indo bem, e eu fiz caipirinha de limão siciliano e tava assim bem alegrinha tomando mé e fazendo almoço e tals e tem uma parte da receita que vai vinagre (vinagre chinês, que eu substituí por vinagre de maçã, numa tentativa desastrada de tentar imaginar que vinagre chinês seria vinagre de quê?, mas aí parei de pensar com medo de isso ser vinagre de cachorro. vai que, né?). e eu meti o vinagre. era pra ser pouquinho, só pra dar um gostinho (e o cheiro tava uma beleza. quase chorei, de tão bom que o cheiro tava ANTES do vinagre, apesar de ser uma receita que envolvia açúcar mascavo e eu ter lá minhas dúvidas se isso ia ficar bom. e aquele arominha de alhos amassados misturado com o cheiro do gengibre... meo deos, tava uma coisa!) e aí eu abri a tampa do vinegre com uma mão e TASQUEI na wok e não tinha visto que com a tampa eu tirei a segunda tampa, aquela que tem buraquinhos, que dosa o vinagre pra que ninguém jogue um litro de vinagre na salada...

resultado: todo o cheiro bom se foi, e a cozinha foi tomada por um cheiro ardido horrendo do vinagre e eu tive que tirar o caldo rápido pra não piorar a coisa toda.

minha casa tá fedendo até agora. a comida ficou comível, mas a casa fede a qualquer coisa ardida que eu não consigo tirar nem abrindo as janelas um dia todo.


...


falar nisso, o Bourbon não vende mais harussame. alguém em porto alegre sabe onde posso comprar? (harussame é um macarrão "cabelo de anjo" feito de arroz. típico da culinária japa e uma delícia!)

[ Penkala ] 15:51 ] 3 comentários
 
 
sábado de clássicos aqui, hein? depois de sairmos de madrugada de casa, pegarmos um Montenegro via (São Léo) ops, Tabaí, sentados sobre as rodas traseiras (sim, montenegrão do mal é o único bus que cruza as estradas dessa vida com bancos em cima das roda. qualquer chinelagem de busão urbano aqui de poa tem o chão elevado sobre os rodão. o resultado de andar mais de hora num montenegrão do mal desses é que, com os joelhos nos queixos por todo esse tempo, fica difícil sair caminhando depois) e de passarmos uma manhã e uma tarde afofando os afilhados, cada um mais fofo que o outro, voltamos pra casa e, na maior cara de pau, fomos ver clássicos como se amanhã não houvesse.

claro, na volta, com passagem escolhida ao acaso (na rodoviária de Montenegro, ao que tudo indica, ninguém pode escolher o número do banco), pegamos os dois bancos mais bem em cima das rodas traseiras do que qualquer coisa. mas já que outros bancos estavam vagos, nos mudamos e eu simplesmente apaguei na viagem de volta.

aí chegamos em casa e vimos o clássico, o bizarro, o absurdo ululante e genial piscante FAHRENHEIT 451, filme de 1966 do Truffaut. se ele fosse um filme de agora e fizessem um teaser, um cara com voz cavernosa diria:

"o que você faria se ler fosse proibido?"

o filme se passa num futuro indeterminado onde o mundo das informações é dado por imagens e por áudio. o jornal é tipo uma história em quadrinhos, mas sem letras. o argumento é que a leitura torna as pessoas anti-sociais.

(cá pra mim, seria o contrário: com tanta gente estúpida no mundo, ler é a fuga dos anti-sociais que, por sua vez, o são pra fugir da idiotia alheia. mas aí o filme tem lá na parte final um indício de caça às bruxas quando um personagem fala que os livros são proibidos pra que ninguém se ache melhor que ninguém, pra que todos sejam iguais, porque a sociedade deve ser assim, igualitária. pérola.)

aqui o embed era por request, entonces apenas o link:

cena da queimada da casa dos livros

o filme é um primor de estética, e o argumento, embora tenha alguns poréns, é bem interessante. no final, ficamos, eu e o marido, nos perguntando que, se fôssemos ser livros, que livro seríamos?

aí, quando desligamos o dvd, logo depois começou na NET um outro clássico: HAIR. adoro. bem típico filme norte-americano dos anos 70, Hair tem um argumento interessante, mas é a forma dele que me faz gostar mais ainda desse filme. no auge da revolução do cinema dos EUA, onde os filmes passaram a tender pros dramas pessoais e os temas relativos à Guerra do Vietnam borbulhavam (a guerra durou por toda a década de 60 e acabou em 1975), Hair aparece como filme-manifesto mas, ao mesmo tempo, usando uma das estruturas mais clássicas de sua cinematografia: o musical. o resultado disso é um início inesquecível (when the Moooooon is in the seventh house and Jupitãaaaaaaaaaar aligns with Mars..., que falam do auge da bicho-grilice astrológica nos EUA), seqüências sensacionais (como a do recrutamento de soldados com a música/dança sobre black boys e white boys, uma metáfora sobre a abertura dos comportamentos homossexuais, inclusive entre os militares, e os relacionamentos interraciais), e cenas impagáveis (como a da dança de Berger sobre a mesa do banquete de aniversário ou a música de Berger quando está entrando na aeronave rumo ao Vietnã: "Manchester England England, across the Atlantic Sea, and I'm a genius genius...").

when the moooooooooooooooon...


... I got my ass...


... and I believe that God believes in Claude...


clássicos geniais prum sábado de preguiça pura.




e aí, se tu fosse um livro, que livro serias?

e se fosse um filme, qual serias?

e uma música, qual delas serias?

[ Penkala ] 15:03 ] 5 comentários

 
eu uso óculos




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