] Quinta-feira, Setembro 04, 2008
 


primeiro capítulo, é? tenho que fazer um primeiro capítulo?



será que consigo?



por que eu fui inventar essa bosta?

[ Penkala ] 21:28 ] 4 comentários

 
] Quarta-feira, Setembro 03, 2008
 
o que é a avaria no célebro da pessoa, né? só quando eu recebo um pedido da Cultura (que eu tava dando pulinhos que tinha sido frete free) é que eu me dou conta de que já tenho o livro.

massa!

[ Penkala ] 20:55 ] 1 comentários

 
] Segunda-feira, Setembro 01, 2008
 
eu e a cozinha azeda

e ontem que eu acordo com as guampa tão virada que já tavam nas costa, com a cabeça explodindo, irritada com a TPM e com o nariz tubido. cheguei na cozinha e tava aquela coisa linda, e tinha uma panela de feijão que estragou porque não consegui comer todo porque tive crises de asia de não dormir por causa do maldito, e tinha penela suja all over e pratos até o teto e tal. aí me irritei e bufei e resolvi lavar a louça todo.

"não tem jeito de ser por mágica, né, sua louça puta dum caralho!?"

então lavei, né? e passei esponja nova com desengordurante onde "Paricida" não passou. e já me irritei com as coisas quebradas que eu não tinha visto, e com a cebola criando cebolinhas e com farelos e záz, e záz... e aí limpei toda a cozinha. limpeza light, né? que não sou doida de fazer faxina na geladeira e tal.

e um artigo me esperando, né? bastou a pessoa ter dois, três deadlines que a louça fica limpa que é uma beleza!

e aí resolvi fazer aquela comida que eu inventei com base numa receita tibetana que eu vi na TV.

já fiquei puta, porque na receita tinha vinho chinês e outras coisicas que eu não encontro assim, fácil, né? bom, e aí tava tudo indo bem, e eu fiz caipirinha de limão siciliano e tava assim bem alegrinha tomando mé e fazendo almoço e tals e tem uma parte da receita que vai vinagre (vinagre chinês, que eu substituí por vinagre de maçã, numa tentativa desastrada de tentar imaginar que vinagre chinês seria vinagre de quê?, mas aí parei de pensar com medo de isso ser vinagre de cachorro. vai que, né?). e eu meti o vinagre. era pra ser pouquinho, só pra dar um gostinho (e o cheiro tava uma beleza. quase chorei, de tão bom que o cheiro tava ANTES do vinagre, apesar de ser uma receita que envolvia açúcar mascavo e eu ter lá minhas dúvidas se isso ia ficar bom. e aquele arominha de alhos amassados misturado com o cheiro do gengibre... meo deos, tava uma coisa!) e aí eu abri a tampa do vinegre com uma mão e TASQUEI na wok e não tinha visto que com a tampa eu tirei a segunda tampa, aquela que tem buraquinhos, que dosa o vinagre pra que ninguém jogue um litro de vinagre na salada...

resultado: todo o cheiro bom se foi, e a cozinha foi tomada por um cheiro ardido horrendo do vinagre e eu tive que tirar o caldo rápido pra não piorar a coisa toda.

minha casa tá fedendo até agora. a comida ficou comível, mas a casa fede a qualquer coisa ardida que eu não consigo tirar nem abrindo as janelas um dia todo.


...


falar nisso, o Bourbon não vende mais harussame. alguém em porto alegre sabe onde posso comprar? (harussame é um macarrão "cabelo de anjo" feito de arroz. típico da culinária japa e uma delícia!)

[ Penkala ] 15:51 ] 3 comentários
 
 
sábado de clássicos aqui, hein? depois de sairmos de madrugada de casa, pegarmos um Montenegro via (São Léo) ops, Tabaí, sentados sobre as rodas traseiras (sim, montenegrão do mal é o único bus que cruza as estradas dessa vida com bancos em cima das roda. qualquer chinelagem de busão urbano aqui de poa tem o chão elevado sobre os rodão. o resultado de andar mais de hora num montenegrão do mal desses é que, com os joelhos nos queixos por todo esse tempo, fica difícil sair caminhando depois) e de passarmos uma manhã e uma tarde afofando os afilhados, cada um mais fofo que o outro, voltamos pra casa e, na maior cara de pau, fomos ver clássicos como se amanhã não houvesse.

claro, na volta, com passagem escolhida ao acaso (na rodoviária de Montenegro, ao que tudo indica, ninguém pode escolher o número do banco), pegamos os dois bancos mais bem em cima das rodas traseiras do que qualquer coisa. mas já que outros bancos estavam vagos, nos mudamos e eu simplesmente apaguei na viagem de volta.

aí chegamos em casa e vimos o clássico, o bizarro, o absurdo ululante e genial piscante FAHRENHEIT 451, filme de 1966 do Truffaut. se ele fosse um filme de agora e fizessem um teaser, um cara com voz cavernosa diria:

"o que você faria se ler fosse proibido?"

o filme se passa num futuro indeterminado onde o mundo das informações é dado por imagens e por áudio. o jornal é tipo uma história em quadrinhos, mas sem letras. o argumento é que a leitura torna as pessoas anti-sociais.

(cá pra mim, seria o contrário: com tanta gente estúpida no mundo, ler é a fuga dos anti-sociais que, por sua vez, o são pra fugir da idiotia alheia. mas aí o filme tem lá na parte final um indício de caça às bruxas quando um personagem fala que os livros são proibidos pra que ninguém se ache melhor que ninguém, pra que todos sejam iguais, porque a sociedade deve ser assim, igualitária. pérola.)

aqui o embed era por request, entonces apenas o link:

cena da queimada da casa dos livros

o filme é um primor de estética, e o argumento, embora tenha alguns poréns, é bem interessante. no final, ficamos, eu e o marido, nos perguntando que, se fôssemos ser livros, que livro seríamos?

aí, quando desligamos o dvd, logo depois começou na NET um outro clássico: HAIR. adoro. bem típico filme norte-americano dos anos 70, Hair tem um argumento interessante, mas é a forma dele que me faz gostar mais ainda desse filme. no auge da revolução do cinema dos EUA, onde os filmes passaram a tender pros dramas pessoais e os temas relativos à Guerra do Vietnam borbulhavam (a guerra durou por toda a década de 60 e acabou em 1975), Hair aparece como filme-manifesto mas, ao mesmo tempo, usando uma das estruturas mais clássicas de sua cinematografia: o musical. o resultado disso é um início inesquecível (when the Moooooon is in the seventh house and Jupitãaaaaaaaaaar aligns with Mars..., que falam do auge da bicho-grilice astrológica nos EUA), seqüências sensacionais (como a do recrutamento de soldados com a música/dança sobre black boys e white boys, uma metáfora sobre a abertura dos comportamentos homossexuais, inclusive entre os militares, e os relacionamentos interraciais), e cenas impagáveis (como a da dança de Berger sobre a mesa do banquete de aniversário ou a música de Berger quando está entrando na aeronave rumo ao Vietnã: "Manchester England England, across the Atlantic Sea, and I'm a genius genius...").

when the moooooooooooooooon...


... I got my ass...


... and I believe that God believes in Claude...


clássicos geniais prum sábado de preguiça pura.




e aí, se tu fosse um livro, que livro serias?

e se fosse um filme, qual serias?

e uma música, qual delas serias?

[ Penkala ] 15:03 ] 5 comentários

 
] Quinta-feira, Agosto 28, 2008
 
tem gírias e bordões que pegam sem nem a gente sentir. a maioria deles é estúpido. mas tem uma que eu adoro e que eu acho que poderia usar quase o dia inteiro: o tal do CADA UM NO SEU QUADRADO.

tem gente que acha que isso é uma divertida e patética música da vez pra todo mundo dançar feito idiota em bailinho. meu eu vejo isso como uma das frases mais sensatas dos últimos tempos.

já dizia um amigo meu: não sabe, larga!

né?

porque é um tal de dentista pedindo folder e achando que tudo é simples, inclusive abrir olho numa foto, e aí o dentista vai lá e me sai com aquela clássica: "eu sou o rei do photoshop!"

é um tal de todo mundo saber como resolver tudo. de picada de abelha a grandes problemas políticos da humanidade. a maioria, no entanto, se borra quando a realidade aparece. ou, o que é mais comum, borra a realidade toda.

médico, né? é um profissional que a maioria das pessoas nem questiona. mas até os pobre dos médicos acabam ouvindo o discurso dum qualquer lá que sabe, mas sabe mesmo, que sua doença é outra.

aliás, eu tenho exemplos bem próximos. é um tal de saber receitar remédio e recomendar tratamentos que eu fico assim, mas que puxa, viu? mal sabe o que a pessoa tem e se acha no direito de saber mais que um sujeito que passou seis anos debruçado em livro e cadáver com formol vencido pra poder entender. e mais dois anos fazendo plantão numa residência lascada e tomando no cu direto.

todo mundo, claro, é escritor. e todo mundo sabe bater foto. e todo mundo é grande conhecedor de photoshop. todo mundo que soca foto no orkut, de repente, sabe como fazer grandes tratamentos de imagem. todo mundo que faz montagem sabe como fazer convites, cartazes, folders, painéis. todo mundo. o que eu levei anos pra aprender e aprimorar, mais uma vida toda lendo e absorvendo cultura, de repente um carinha qualquer vai lá, cobra 10 pila e faz.

o resultado, claro, são os desastres que a gente vê.

ou as pessoas tendo choques e indo pro hospital porque tomaram um tal remédio porque a vizinha disse que era muito bom pra alergia e também pro fígado. (aliás, tudo quanto é remédio que serve pra barriga serve, acima de tudo, pro fígado. que coisa genial, hein?)

aí vem a maravilha da inclusão digital. o orkut fornece códigos pra gente criar carinhas, pra gente mandar link (de bobagem, claro) pros amigos. e tem os templates automáticos de blog, que todo mundo é capaz de ter.

e aí, por uma mágica, programar um site se transforma em "fazer um código", e fazer um código é quase o mesmo que enfiar um plug numa tomada: simples.

os amigos todos sabem fazer códigos pra fazer uma imagem girar, pra fazer não sei que piscar. e aí é um tal de "me explica comé que se faz um site". "assim, é só me falar como é o código. ou me mandar o teu código!"

aí, se eu faço mais uma de minhas analogias, as pessoas acham exagero. pedir pra alguém pedir pro outro explicar como se faz um código prum site é a mesma coisa que ligar pra vizinha que tem filho médico e pedir pra ela ver com ele comé que faz uma cirurgia de safena.

ao próximo dentista que me disser que é o rei do photoshop, eu vou sentar e dizer "mas tu sabe que lá em casa sou eu que extraio os sisos de todo mundo? fica uma beleza. e depois ainda mando tomar suco de couve, que diz que cicatriza mais rápido!". e pro próximo educador físico que me disser que "é só fazer um código" eu vou dizer "olha, não sei pra que passar quatro anos na faculdade se qualquer um sabe mandar a gurizada fazer polichinelo".

e pro próximo que me disser que o preço que eu cobro pra fazer um folder é 10 vezes mais caro que fulaninho não sei de onde, eu vou dizer "essa é a diferença entre o médico e o curioso. o médico ia fazer o aborto que a tua mãe queria, mas ela foi num curioso, que cobrava menos, e ele não só rasgou toda ela como ainda te deixou nascer, seu acidente da natureza!"

em tempo: eu não programo. não sei e nem me meto a achar que sei. me viro, mas se sair uma merda, azar o meu. e nem sei fazer ponte de safena. se nem minha mãe que é médica (psi) sabe, eu menos, né?

[ Penkala ] 16:49 ] 6 comentários
 
 
DJ da ante-sala do inferno em:
Desventuras em série de um fã de música com coro de índios

porque meu vizinho, segundo a Lady A. diz, tá virando uma saga. a partir do meio dia é sempre um som eclético do caramba que toca alto o suficiente pra preencher musicalmente os apartamentos dos 4 ou 5 prédios do entorno. pensando bem agora, o vizinho não repete uma música sequer. a cada dia uma nova trilha pras tardes, o que varia de música grega, cantos gregorianos, secos e molhados, elis regina, techno, a frank zappa e doors. hoje a trilha começou com uma trilha de um filme que não lembro qual é, recheada de violinos tristes que pareciam as composições do Enio Morricone pra A Missão. mas não eram, porque essa trilha eu sei de cor. e é triste de dar dor. mas a do cara é infinitamente inferior ao oboé da trilha de Morricone. até quando teve flautinha deixou a desejar. então não era a trilha de A Missão.

nas partes mais tristes e dramáticas, ele aumenta o som. aí começou uma mistura de cantos gregorianos com trilha de bacanal de filme do Kubrick. que, aliás, confesso que me dá medo mais que Revolution number nine dos Beatles, hein? mas aí começa uma coisa bem coro de índios e eu já não entendo mais bosta nenhuma.

aí agora parece que tem um coro de mulheres com voz de Bete Carvalho. o que me lembra que o DJ da ante-sala do inferno também já fez uma tarde toda de Elis Regina.

chega a me dar uma ansiedade. qual será a próxima música?

[ Penkala ] 12:50 ] 3 comentários

 
] Quarta-feira, Agosto 27, 2008
 
VEJA pra crer

e a Veja online não tem um puto espacinho pro comentário. ainda bem, porque se tivesse eu ia perder a compostura comentando isto:

(clique aqui pra ver o original)

(grifos em vermelho = vou comentar no final)

Educação | Ideologia
Prontos para o século XIX

Muitos professores e seus compêndios enxergam o mundo
de hoje como ele era no tempo dos tílburis. Com a justificativa
de "incentivar a cidadania", incutem ideologias anacrônicas
e preconceitos esquerdistas nos alunos[1]


Monica Weinberg e Camila Pereira

VEJA TAMBÉM
Nesta reportagem
Quadro: educação ou doutrinação
Nesta edição
Você sabe o que estão ensinando a ele?
Exclusivo on-line
Mais dados da pesquisa: Literatura e internet

Tema para reflexão: vale a pena usar chocadeiras artificiais para acelerar a produção de frango?[2] Deu-se com isso o início de uma das aulas de geografia no Colégio Ateneu Salesiano Dom Bosco, de Goiânia, escola particular que aparece entre as melhores do país em rankings oficiais. Da platéia, formada por alunos às vésperas do vestibular, alguém diz: "Com as chocadeiras, o homem altera o ritmo da vida pelo lucro". O professor Márcio Santos vibra. "Você disse tudo! O homem se perdeu na necessidade de fazer negócio, ter lucro, exportar." E põe-se a cantar freneticamente Homem Primata / Capitalismo Selvagem / Ôôô (dos Titãs), no que é acompanhado por um enérgico coro de estudantes. Cena muito parecida teve lugar em uma classe do Colégio Anchieta, de Porto Alegre, outro que figura entre os melhores do país. Lá, a aula de história era animada por um jogral. No comando, o professor Paulo Fiovaranti. Ele pergunta: "Quem provoca o desemprego dos trabalhadores, gurizada?". Respondem os alunos: "A máquina". Indaga, mais uma vez, o professor: "Quem são os donos das máquinas?" E os estudantes: "Os empresários!". É a deixa para Fiovaranti encerrar com a lição de casa: "Então, quem tem pai empresário aqui deve questionar se ele está fazendo isso[3]". Fim de aula.

Os dois episódios, ambos presenciados por VEJA, não são raridade nas escolas brasileiras. Ao contrário. Eles exemplificam uma tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças.[4] Parece bobagem, uma curiosidade até pitoresca num mundo em que a empregabilidade e o sucesso na vida profissional dependem cada vez mais do desempenho técnico, do rigor intelectual, da atualização do pensamento e do conhecimento. Não é bobagem. A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular.[5] É algo que os professores levam mais a sério [5] do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por VEJA. Pobres alunos. [6]

Divulgação

"Capitalismo selvagem"
Colégio Dom Bosco, de Goiânia: Titãs e crítica às chocadeiras artificiais na aula de geografia

Eles estão sendo preparados para viver no fim do século XIX, quando o marxismo surgiu como uma ideologia modernizante, capaz não apenas de explicar mas de mudar o mundo para melhor, acelerando a marcha da história rumo a uma sociedade sem classes. [7] Bem, estamos no século XXI, o comunismo destruiu a si próprio em miséria, assassinatos e injustiças durante suas experiências reais no século passado. [8] É embaraçoso que o marxismo-leninismo sobreviva apenas em Cuba, na Coréia do Norte e nas salas de aula de escolas brasileiras. As chocadeiras produzem os frangos vendidos a menos de 5 reais nos supermercados brasileiros, e isso propicia a dose mínima de proteína a famílias que, de outra forma, estariam mal nutridas. A realidade não interessa nas aulas como a do professor Márcio Santos. O que interessa? Passar a idéia de que as máquinas tiram empregos. Elas tiram? Tiraram no começo dos processos de robotização e automação de fábricas nos anos 90. Hoje, sem robôs e máquinas, os empregos nem sequer seriam criados. Mas dizer isso pode desagradar ao espírito do velho barbudo enterrado no novo Cemitério de Highgate, em Londres. Os professores esquerdistas veneram muito aquele senhor que viveu à custa de um amigo industrial, fez um filho na empregada da casa e, atacado pela furunculose, sofreu como um mártir boa parte da existência. Gostam muito dele, fariam tudo por ele, menos, é claro, lê-lo – pois Karl Marx é um autor rigoroso, complexo, profundo que, mesmo tendo apenas uma de suas idéias ainda levada a sério hoje – a Teoria da Alienação –, exige muito esforço para ser compreendido. [9] "A salada ideológica resulta da leitura de resumos dos grandes pensadores", diz o filósofo Roberto Romano. Gente que vê maldade em chocadeiras e mal em empresários que usam máquinas em suas fábricas no século XXI não pode ter lido Karl Marx. É de supor que não tenham lido muito, quase nada. Mas são esses senhores que ensinam nossos filhos nas melhores escolas brasileiras – sem, diga-se, que os pais se incomodem com isso. [10]

Mirian Fichtner

Lição de casa
Colégio Anchieta, em Porto Alegre: o professor pede aos alunos que questionem os "pais empresários"

A pesquisa CNT/Sensus ouviu 3 000 pessoas de 24 estados brasileiros, entre pais, alunos e professores de escolas públicas e particulares. Sua conclusão nesse particular é espantosa. Os pais (61%) sabem que os professores fazem discursos politicamente engajados em sala de aula e acham isso normal. Os professores, em maior proporção, reconhecem que doutrinam mesmo as crianças e acham que isso é sua missão principal – algo muito mais vital do que ensinar a interpretar um texto ou ser um bamba em matemática. [ tá, sério, não tenho mais paciência! cansei de comentar o texto. não acredito que gastei tanto tempo com essa piada enquanto podia estar estudando sobre como a mídia doutrina e vende comportamentos. mentira. não é isso que eu estudo. porque eu não tenho estômago bom pra isso, sabe? só de fazer esses comentários a minha gastura aumentou em 50%. doutrinadores? sério? esse mundo tá um lixo mesmo! furunculose? devia ser complicado escrever sofrendo de tanta porcaria, né? ] Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido, uma vez que atribuem à escola, antes de tudo, a função de "formar cidadãos" – à frente de "ensinar a matéria" ou "preparar as crianças para o futuro". Muito bonito se não estivessem nesse processo preparando os alunos para um mundo que acabou e diminuindo suas chances de enfrentar a realidade da vida depois que saírem do ambiente escolar. Para atacar um problema, o primeiro passo é reconhecer sua existência. Esse é o mérito da pesquisa CNT/Sensus.

Divulgação

Ódio às máquina
Na sala de aula e nos livros, a tecnologia recebe a culpa pelo aumento do desemprego no mundo

Adversária do exercício intelectual, a ideologização do ensino pode ser resultado em parte também do despreparo dos professores para o desempenho da função. No ensino básico, 52% lecionam matérias para as quais não receberam formação específica – 22% deles nunca freqüentaram faculdade. Para esses, os chavões de esquerda servem como uma espécie de muleta, um recurso a que se recorre na falta de informação. "Repetir meia dúzia de slogans é muito mais fácil do que estudar e ler grandes obras. Por isso, a ideologização é mais comum onde impera a ignorância", diz o historiador Marco Antonio Villa. A questão não é exatamente nova na educação. Meio século atrás, a filósofa alemã Hannah Arendt já alertava para o equívoco de fazer das aulas um lugar para a doutrinação ideológica, qualquer que fosse o matiz. Em A Crise na Educação, ela dizia: "Em vez de (o professor) juntar-se a seus iguais, assumindo o esforço da persuasão e correndo o risco do fracasso, há a intervenção ditatorial, baseada na absoluta superioridade do adulto". Ao refletirem sobre o atual cenário, os especialistas concordam com a idéia central da filósofa. Está claro, e a própria experiência mostra isso, que o viés político retira da escola aquilo que deveria, afinal, ser seu atributo número 1: ensinar a pensar – verbo cuja origem, do latim, significa justamente pesar. Diz o sociólogo Simon Schwartzman: "O verdadeiro exercício intelectual se faz ao colocar as idéias e os juízos numa balança, algo que só é possível com uma ampla liberdade de investigação e de crítica".

Alexandre Battibugli

Consumo, esse vilão
Na cartilha, as sociedades de consumo se prestam a estimular a futilidade e poluir o ambiente

Não é o caso na maioria das salas de aula. Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.

Entre as figuras históricas e da atualidade mais citadas em classe está, como não poderia deixar de ser, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As referências a Lula são contidas. O presidente brasileiro obtém aprovação menor entre os professores, segundo relatam os estudantes, do que aquela com que a sociedade brasileira em geral o brinda. Ele tem 70% de avaliação positiva dos brasileiros, mas na boca dos professores esse índice cai para 30% – com 27% de citações negativas e 43% de neutras. Ressalte-se aqui que é um ponto louvável para os mestres o fato de, como mostram os números relativos a Lula, eles não fazerem proselitismo eleitoral em classe – mesmo que seja preciso relevar o fato de o ditador venezuelano Hugo Chávez ter merecido 51% de citações positivas. A neutralidade e o comedimento em relação a Lula desautorizam a interpretação de que os professores tentam direcionar o voto dos alunos, o que seria desastroso. É sinal de que sua pregação, mesmo equivocada, se mantém no nível das idéias – o que é excelente.

Joedson Alves

Contrários à doutrinação
O advogado Miguel Nagib (sentado) fundou a ONG Escola Sem Partido, junto com outros pais: todos acharam na cartilha dos filhos exemplos de ideologia

"Eu e todos os meus colegas professores temos, sim, uma visão de esquerda – e seria impossível isso não aparecer em nossos livros. Faço esforço para mostrar o outro lado", diz a geógrafa Sonia Castellar, que há vinte anos dá aulas na faculdade de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP) e escreveu Geografia, um dos best-sellers nas escolas particulares (livro que tem dois de seus trechos comentados por VEJA na reportagem seguinte). "Reconheço o viés esquerdista nos livros e apostilas, fruto da formação marxista dos professores. Mas não temos nenhuma intenção de formar uma geração de jovens socialistas", diz Miguel Cerezo, responsável pelo conteúdo publicado nas apostilas do COC (de onde foram extraídos quatro trechos comentados pela revista). À luz de outra pesquisa em profundidade feita pelo Ibope em colaboração com a revista Nova Escola, editada pela Fundação Victor Civita, os professores da rede pública revelam que, para eles, o principal problema da sala de aula é, de longe (77%), a ausência dos pais no processo educativo. Repousam na colaboração entre pais e professores a correção dos rumos do ensino no país e a aceleração da curva de melhora de desempenho que começa a se desenhar. A questão do excesso de ideologização é um desses problemas que podem ser abordados em conjunto por pais e professores. Demanda para o diálogo existe. O advogado Miguel Nagib fundou, há quatro anos, em Brasília, a ONG Escola Sem Partido, com o objetivo de chamar atenção para a ideologização do ensino na sala de aula. Nagib se incomodou com os sinais do problema na escola particular de sua filha, então com 15 anos, onde o professor de história gostava de comparar Che Guevara a São Francisco de Assis. Foi ao colégio reclamar. Diz Nagib: "As escolas precisam ficar sabendo que muitos pais não concordam com essa visão".

Com reportagem de Camila Antunes e Marcos Todeschini


[ 1 ]
estudei em escola pública estadual e fui obrigada a ter aula de religião (diga-se: catolicismo) e de engolir uma professora de história que certa vez defendeu o criacionismo. cresci (como uma das últimas, ainda bem) gerações que aprendem coisas de cartilhas escritas por conservadores com tendências fascistas. só agora me dou conta de que o "esquerdismo" é so last century! aliás, onde estava a Veja quando aprendíamos no colégio o que gente reacionária tinha escrito?

ai que bonita a montagem da caneta e do lápis como foice e martelo. achei tão criativa!

[ 2 ] sobre o relato a respeito dessa pergunta: vem cá, e por que as pessoas não conseguem comprar frango normalmente? seria porque elas vivem num país que dá o cu pro capitalismo há anos? mas o professor errou ao falar, genericamente, em chocadeiras. porque o processo de aceleração do crescimento dos frangos se dá por, também, administração de hormônios. hormônios estes que são altamente prejudiciais, a médio e longo prazo, pras pessoas. gerações inteiras estão comendo hoje o hormônio que amanhã vai diminuir a expectativa de vida delas e aumentar os índices de infartos, derrames, obesidade, hipertensão, amadurecimento precoce, problemas hormonais que podem, inclusive, gerar problemas nos futuros bebês. isso não apenas vai fazer o sistema de saúde explodir como vai gerar uma perda da capacidade produtiva no país dentro em breve.

[ 3 ] afinal, que bem pode ter em educar jovens para o questionamento de sistemas injustos, não? como é que podem os professores ensinarem os alunos a questionarem o empresariado sobre políticas de cidadania, bem estar social, empregabilidade, crescimento humano, qualidade de vida ou proteção do meio ambiente. né?

[ 4 ] neste exato momento me borrei toda, hein? principalmente com o argumento CRIANÇAS usado quando no exemplo prático eram alunos às vésperas do vestibular... criança é sempre um bom uso quando se fala de comunismo, já que os comunistas, a gente sabe, comem criancinha. com frango.

[ 5 ] fiquei com medo, sabe?

[ 6 ] pobres alunos mesmo. tão despreparados que vão sair do colégio. eu acho até que vou educar meus filhos em casa, com as velhas cartilhas onde aprendi. é mais seguro. é a doutrinação old school. literalmente.

[ 7 ] o marxismo foi aceito no século XIX? no século XIX a ideologia moderna e usada era o marxismo? puta merda, estudei pouco, hein? eu devia ter sido nerd, em vez de ficar matando aula pra ir pra biblioteca ler livros subversivos. gente! olha! se eu contar a minha mãe não vai acreditar que o marxismo veio pra salvar o século XIX!

[ 8 ] ditadura esquerdista? puxa. estou realmente surpresa que as ditaduras sejam cruéis. e miseráveis. achei que ditadura era tipo um apelido pra algo de sacanagem, uma coisa de diversão. mas eu também estou bem surpresa pelo fato de que algumas ditaduras ainda em vigência sejam, realmente, pura diversão. isso me lembra uma situação que aconteceu no Brasil faz uns anos. era ditadura, né? porque no colégio eu não lembro muito bem de ter lido sobre isso, mas eu soube depois que um país cruel foi quem ajudou as ditaduras mais cruéis na América Latina. o mesmo país que derrubou a ditadura do Saddam e agora implantou a ditadura mais cruel ainda que a de Saddam. mas eu nunca tinha tido conhecimento (meus professores deviam ser marxistas, só pode, pra serem tão canalhas...) que esse país era comunista. porque, né? ditadura e comunismo são quase sinônimos. não?

[ 9 ] fina ironia. e um tanto quanto confusa. jura que o Marx era um porcalhão? jura que ele era um cagalhão que gostava, como dizem de Hannah Arendt, dos luxos dessa vida? jura que ele foi contraditório? jura? ler Marx é pros fracos, mesmo.

[ 10 ] alguns dos meus professores não tinham dinheiro pra comprar nem roupa, que dirá ir numa livraria comprar Marx. alguns nem comiam frango. alguns ainda hoje não comem frango e continuam sem ler Marx. aliás, vou te dizer uma coisa, que mania, né? de falarem sem ler. aí ficam tudo assim, pensando mal duma chocadeira. achando um horror o desemprego por causa das máquinas. eu acho ótimo: mais férias pras pessoas, né? remuneradas.

[ Penkala ] 22:56 ] 9 comentários
 
 
microblogging descontrol II

meu vizinho monstro estava dando uma risada macabra hoje de tarde. ele faz isso sempre. isso dura, em geral, uns 10 minutos. macrabra. mesmo. ele tem 4 anos.

eu tenho medo de algumas músicas dos Beatles. Long, Long, Long é uma delas. Revolution number 9 é outra. esta eu não escuto sozinha nem tapada de mutuca.

se tu pensa que escutar Love will tear us apart, do Joy Division não é tão fossa assim, é porque logo depois vem Preciso me encontrar, do Cartola

raiva da Cultura que coloca em promoção os três filmes que eu ainda não tenho do Kubrick. shame. on. you. Cultura. sua. cretina.

[ Penkala ] 22:00 ] 0 comentários
 
 
saindo da orientação com meu primeiro orientando fui caminhando pelas ruas secundárias ali de perto da faculdade até o Ocidente, onde iríamos almoçar (eu e marido). e tinha a salada que eu adoro. antes, no meio do caminho pro Oci, descobri que a Artmed LIVRARIA não vende só livro de medicina. FUDEU, né? porque é menos um lugar que não oferecia riscos ao meu orçamento. pelo menos saí de lá ilesa. por hoje.

almoçamos e fomos indo até a parada pegar o busão quando, de repente, vi isso numa vitrine e não resisti (ando consumista e, embora eu dome meu impulso sempre que ele aparece, desta vez, cansada, estressada e com medo da tese que me assombra dia e noite, não fui capaz de resistir ao apelo desse exemplar do demo em forma de tênis):



porque, afinal, ele tinha que fazer companhia pro cano médio vermelho que está junto com a Hello Kit vestida de diabinho cuidando das minhas chaves (ambos os chaveiros presentes da minha irmã):



só por castigo, já que tava tudo muito bem, meu orientando é legal, alguns deadlines foram milagrosamente prolongados e chegou meu livrinho tão esperado por dois meses, a máquina de lavar está dando seus últimos suspiros. e agora, josé?

o livrinho fofo e com muitas letrinhas e linhas por página:


[ Penkala ] 16:15 ] 2 comentários

 
] Domingo, Agosto 24, 2008
 
vizinho do prédio dos fundos super inspirado num melódico assovio de WHAT A WONDERFUL WORLD. sinto até uma tristezinha pra além da meladice que já é a música.



isso depois do jimmy page tocar WHOLE LOTTA LOVE nas olimpíadas...


(fota meramente ilustrativa, mega antiga,
de quando page ainda não babava tocando)


e depois de achar A LEI DO DESEJO (almodóvar) e MEDO E OBSESSÃO (wenders) no super por 9,90.





quê que tá acontecendo?

[ Penkala ] 13:18 ] 4 comentários

 
] Sábado, Agosto 23, 2008
 
se tem uma coisa boa, essa coisa é não ter horário. eu tenho uma incrível resistência ao sono, mas tenho grandes dificuldades de acordar. pra mim, o dia ideal é aquele em que não preciso ceder às pressões sociais de levantar em horários abaixo das 9h e que posso enfiar a madrugada trabalhando. é engraçado, porque eu não gosto de "viver a noite".

(parêntese louco à beira da madrugada: uma atriz dirige uma pergunta sobre ÉTICA às quatro mulheres do SAIA JUSTA. algo como "é possível ter ética em tempos de fome?". gente, e temos uma doutora em filosofia entre as quatro mulheres! e em nenhum momento a doutora filósofa, que, na minha opinião, "acertou" a resposta por engano, no meio das elocubrações todas, e diante de várias oportunidades de, separou ética de moral. nem explicou, diante, mais uma vez, de várias oportunidades, que a ética é um princípio universal e a moral é pessoal, cultural, histórica. eu estou morrendo de fome e pra matar a fome eu preciso roubar. é ético? não existe como pensar nisso, porque diante da necessidade última da natureza, que é a de manter a vida, não existe como aplicar um conceito como o de roubar assim, tão vilmente. roubar é imoral, mas não tem necessariamente nisso um ato que machuque a ética. até porque a ética, desde que eu sei o que é isso, é nunca (universalmente) ferir aquilo que nos une (universalmente): a vida. é anti-ético matar, mas é imoral matar aqui, e não na China, por exemplo, quando se trata de respeitar a lei do filho único... agora, tem como pensar em ética quando é a vida (nossa ou de um filho) que está em jogo? dá pra pensar nisso tão vilmente? se deixar morrer pra defender uma ética maior é uma coisa, mas se pra eu viver é absolutamente necessário que outro morra, como se discute ética?

aí a maitê proença lembra uma fala do Dalai Lama que, diante da pergunta (sobre não-violência) "ok, mas e se alguém armado vem na minha direção pra me matar e eu tenho uma arma, eu mato ou deixo de matar, neste caso em prol da não-violência?". ao que Dalai responde: "bom, nesse caso, é preciso que aquele com maior elevação espiritual viva". isso significa o que? que ele fugiu pela tangente? a maitê coloca que ele deixou o sentido da resposta no ar.

pra mim, não. aquele com a maior elevação espiritual é CERTAMENTE aquele que não vai, por qualquer motivo que não a defesa da própria vida, empunhar uma arma pra matar. se alguém vai na direção de outro pra matar, certamente não tem mais elevação espiritual que aquele que mata diante da impossibilidade de outra defesa.

até porque, mais uma vez lembrando que temos uma doutora em filosofia entre as quatro mulheres, e lembrando que o budismo, antes de ser "religião", é uma filosofia, no budismo o bem supremo e absoluto é a vida. qualquer vida. e qualquer atentado, ainda que à própria vida, é, em última análise, uma atitude vil. se o atentado é à própria vida, é pior, porque é o maior desrespeito ao dom que a natureza te deu.

essa, pra mim, é a mais perfeita noção de ética possível. e isso nada tem a ver com religião.

o que prova que colocar uma doutora em filosofia lá pra discutir certos assuntos nenhuma vantagem tem, afinal, ali a doutora se posicionou como qualquer pessoa que emite opiniões por impulso. fecha parêntese)

então, viver a noite. não vivo. eu gosto de estudar de noite. trabalhar de noite. no momento, a melhor explicação pra isso está aqui no apartamento. não tem três motores infernais trabalhando na oficina do lado, nem um vizinho que adora exibir seu gosto musical pra toda a quadra, nem a família monstro que me dá nos nervos, nem a faxineira da família monstro que conversa com todos à distância, e que chega no corredor sempre como se um incêndio acontecendo estivesse, e nem o telefone tocando sem parar com a érica da renner querendo "agendar" algum pagamento pendente ou uma senhora, rapaz ou mocinha se enganando (querendo ligar pro corte zero e, acreditem, nenhum número do corte zero é sequer parecido com o meu fone)... enfim. os vizinhos chegando da noite não me irritam. a chuvinha também não. o nenê chorando no apartamento de cima não me abala. e eu posso, pelo menos, pensar.

[ Penkala ] 23:46 ] 2 comentários
 
 
na onda da glugleiagem, este blog não perde a pose em se tratando de chinelagem generalizada. as pessoas chegam aqui procurando, sempre, as coisas mais podres. ou bizarras. fazia tempo que eu não pesquisava as buscas desse blog e lendo blogs obrigatórios do meu dia resolvi voltar a fazer. e tem coisas que, ó, meio densas, sabe?

tipo esse português pedófilo aqui que não se deu bem:
"bem novinhas filmadas a transar" - tipo assim, gajo, bem novinhas as in PROIBIDO ATÉ EM NOVA YORK? ou pode ter mais de 21, hein, meu rapaz? de qualquer forma, aqui não rola essas coisa, não.

ou o sujeito procurando coisa séria...
"o cinematographo" - e pára aqui, né? pobre. isso aqui é um blog de cinema, né? mas não tanto quanto você pensa... não vai dar pra elicidar nada pro trabalho de cinema da faculdade.

e "penkala"? tá procurando as caneta ou a penka? se for a penka, é aqui, mofilho.

e a morbidez cinematográfica, hein? "filme com rodrigo santoro da vitima despedaçada" - até onde me constava, era o abril que era despedaçado. esse "rodrigo santoro da vitima despedaçada" me soa meio tipo "raiva desgraçada da gota serena", né? meio cabra macho, hein?

e "figurino xuxa davene"? até agora fico pensando seriamente donde essa pessoa tirou essa busca, né?

e tava demorando:
"fotos de garotos de 15 anos pelados". pedofilia come aqui, hein? come solta. gente. do. céu! se bem que... acho que hoje em dia 15 anos não se encaixaria nas esperanças dos pedófilos, né? ainda tem meninos de 15 assim, com cara de menino de 15 em filme dos anos 40?

e "piranhinhas"? é pedofilia ou o sujeito tava procurando essas porrinhas que eu coloco sempre no cabelo? essas coloridinhas, sabe? enfim...

mas essa é a melhor busca de todas: "fotos de bundas alopradas exageradas". ok, eu acho a minha exagerada. tava precisando que ela fosse menos exagerada, que as calças estão querendo ser usadas. alopradas? cheuver... né? EU fico aloprada, mas esse negócio de bunda aloprada não, tá? deixa a minha bunda aqui. ela é exagerada, mas é careta e gosta de ser low profile, então sai fora, meo.

e as fota? sempre buscam no IMAGES ou "cinematographo" (pobre pessoa, que quer fazer trabalho pra disciplina de cinema e dá de cara com o cabeçalho desse blog!) ou a "clementine", né? não tangerine clementine, mas a clems de cabelo tangerine. minha queridinha, fofinha e mimosa clems do cabelo toranja.

ou tava procurando a bergamota, filho? bergamota eu gosto tanto, sabe? e tá na época. pelo menos no supermercado que tudo congela.

[ Penkala ] 14:57 ] 2 comentários

 
] Sexta-feira, Agosto 22, 2008
 
na mesma semana dois clássicos.

na televisão, né? que pegar um clássico da estante pra ver tem graça, não, né?

wayne's world e rocky III

e o que é melhor, o rocky III dublado. não que eu goste de filme dublado, néam? mas é que ver MR. T. dublado não tem comparação. ouvir "bobalhão", "molóides", "mulher, ô mulher!" e "cara" do Mr. T. dublado é a máquina do tempo com "de tarde, algum dia de inverno de 1985" gravado já, só esperando pelo start.

aqui a cena em versão original:



aqui uma fala dele, dublado:




e wayne's world é o filme da minha adolescência. de quando o marido, então ainda-não-namorado colocou o filme pra eu ver pra ele ter certeza de que eu valeria a pena (diz ele que era um teste. se eu risse, ele teria certeza).



tosco a mais não poder!

[ Penkala ] 11:50 ] 0 comentários

 
] Quinta-feira, Agosto 21, 2008
 
in. the. face!

tá, eu vou contar. porque eu não sou judia, mas a auto-depreciação é um dos meus tipos de humor preferidos. eu, terça de noite, na sala de aula, mandando os alunos calarem a boca:

- aêeee, vamo fazê silêncio, hein?
- ...
- já diz a minha vó: quando um burro fala, os outros abaixam as orelhas...

veja. eu venho duma família que tem a real noção do seu lugar. o tipo de família que nunca fala DICIONÁRIO, mas amansa. amansa as in AMANSA BURRO.

e aí eu emendo:

- sim, minha vó é portuguesa, então ela sabe do que tá falando...

meio minuto depois, aquela parada básica do stand up comedy, e eu pergunto:

- tem nenhum português nessa aula não, né?

nesse momento vocês devem estar se perguntando: eu estava com a certeza de que não teria, certo?

errado. eu só ignorava que os portugueses ainda continuassem saindo de portugal e vindo dar com os beiços nas águas do brasil. o movimento tem sido o contrário, ultimamente.

uma aluna levanta a mão.

momento de total blushing. da minha parte (nos tons cereja e roxo) e da parte dela (somente um tom cereja, porém bastante intenso).

- onde é que nasceste?, pergunto eu, na total inocência. veja que sempre que alguém diz que veio de portugal eu sempre quero saber se a criatura não nasceu em águeda, né? terrinha da mama. aquele tipo de patricismo por hereditariedade.
- em coimbra, responde ela.
- ahn. terra de uma das melhores universidades do mundo (invejem, mortais! fora que a cidade é linda pra caralho!)


e eu fui honesta. e ainda emendei, depois de falar que minha mãe é portuguesa e que conta mais piada de português que eu, e depois dela falar que nasceu lá porque o pai dela foi fazer mestrado/doutorado:

- o sonho de toda a minha família é fazer mestrado/doutorado na universidade de coimbra... (não rolou, ainda)

...

o legal é que tem uma pelotense na minha aula. descobri uma conterrânea pra quem eu posso fazer piada. o ruim é que eu não faço piada de pelotense. e nem de português (as de humor negro não têm fronteiras). levei na boa e assumi a gafe. espero que a aluna tenha levado na boa também. até porque ela comentou:

- e eu ainda sou loira, então...

ao que eu respondi:

- é, eu também sou, mas aí eu dei jeito nisso. as pessoas dizem que eu tenho inteligência artificial... (oi, urubua!)

tipo, nem de loira eu faço piada.

levei na boa a gafe porque, sinceramente, nenhum preconceito da minha parte. se eu tivesse preconceito, além de idiota por ter preconceito, eu seria idiota por ter preconceito logo da minha "raça". afinal, português, polaco, loira, negro e judeu é o que não falta na minha família.

(me nego a fazer piada "racial" única e exclusivamente pelo local de nascimento ou pela cor da pele...)

mas isso é pra eu aprender a não achar que "nah, não vai ter ninguém parente do Lasier aqui na sala, né? nem preciso me preocupar". já dizia aquele programa de rádio daquela rádio mega jabazenta que só toca música ruim:

na caaaaaaaaaaaaaaaara!

[ Penkala ] 19:01 ] 4 comentários

 
] Quarta-feira, Agosto 20, 2008
 
eu vi wenders (parte II)

vim falar sobre wenders de novo. a fala dele. por coincidência, um dos temas da conferência dele no Fronteiras é um dos pensamentos que mais tem ocupado a minha cabeça (fora todas as coisas relacionadas ao doutorado, o que já é muuuuuuuuuuita coisa. e fora o fato de que eu preciso descobrir como lavar a louça sem sentir, por mágica): o sentimento de lugar.

na verdade, não só de lugar, mas mais que isso, o sentimento de pertença.

eu sou filha de imigrante. e meu pai nasceu em outra cidade. e os meus avós são todos de fora. uns da colônia, uns da europa, os bizavós todos da europa mesmo. já é hereditário, então, o sentimento muito forte de não pertencer ao mundo. o sentimento de não ter casa.

moro em poa faz 6 anos agora no fim de outubro. e não me sinto em casa em nenhum dos três lugares em que já morei aqui. mas aos poucos também não me sinto em casa no lugar onde nasci.

quando deixei pelotas, levei comigo, como todo o andarilho em marcha, uma pelotas minha. ao longo dos anos, nessa pelotas minha fui colocando coisinhas da minha pelotas, mas imaginárias, porque só podia tê-las de memória. acontece que sempre que eu levo a minha pelotas pra pelotas, elas não se encaixam. e cada vez se encaixam menos.

wenders falou de nascer em uma alemanha envergonhada e culpada. um país quase totalmente destruído (ele nasceu em 45). e de, desde que se conhecia por gente, querer deixar sua terra pra trás. por isso se autodefine como um viajante. diferente do turista, que está irremediavelmente não em casa, o viajante não tem casa. e a cinematografia dele só comprova isso. filmes tão ímpares como BUENA VISTA SOCIAL CLUB, um documentário feito em cuba; ASAS DO DESEJO, o belíssimo filme em berlin; O CÉU DE LISBOA, na própria lisboa... um cineasta que sempre busca o que existe nos lugares e nas pessoas. que busca um cinema da experiência (pelo amor de deus, eu tinha escrito esperiência, maldito escrever como se diz, caraças!). "obrigado pela diversão", diz ele aos filmes norte-americanos. mas não é o cinema que ele quer fazer e nem o que ele quer ver. se chega a um lugar e se depara com 15 filmes na programação de um cinema, e um deles é um documentário, é esse que ele vai ver.

é a tal da experiência, o sentimento de lugar que é como nenhum outro jamais poderia ser.

"pra começar, não tentem imitar eles", responde wenders (tradução minha) pro gerbase, que pergunta ao gênio como lidar com o cinema norte-americano? wenders quer um cinema que ninguém mais poderia fazer. ele quer isso pra si e pros outros. porque no fim, é só isso que interessa mesmo. a diversão de um blockbuster é boa, mas isso não move o mundo.

apesar de não ter fronteiras (pro próprio pensamento, pro seu cinema, pro que pensa do mundo, pros próprios pés), wenders fala que as fronteiras também são boas. porque elas ajudam a definir as identidades. e as identidades são aquilo que ninguém pode tirar da gente. mas, infelizmente, reflete ele, o mundo se encaminha pra uma enfadonha mesmice, pra uma uniformidade. embora a desigualdade social continue, todos os lugares estão absurdamente se parecendo com todos os lugares. vá até a china, meu amigo tão afeito ao bum dessa nova civilização. é uma profusão de Kentucky Fried Chicken, McDonald's e Burger King por todo lado. assim como porto alegre, lisboa, barcelona, belo horizonte... todos os lugares estão querendo ficar iguais. assim não há choque quando os turistas sairem de casa e forem visitar outras culturas.

apoiem a produção local, diz Wenders.

o que fazer com esse cinema norte-americano?, perguntou gerbase. wenders responde: não se preocupem com eles, eles vão sobreviver.

o que fazer? parem de achar que o cinema norte-americano é melhor que todos. ele é o melhor cinema norte-americano de todos. no mais, ele é apenas diferente. porque o que constitui o cinema não é a qualidade de som e o orçamento gasto nele. é o que ele nos dá. apreciem o local, sejam abertos a todos os cinemas, eu diria. tem gosto pra tudo, mas não há só um sabor nesse mundo. não enquanto a gente não experimentar de tudo um pouco.

por que os norte americanos se deram bem na indústria do cinema e por que eles fazem isso tão bem e por que é tão admirável e por que o estilo de vida deles domina? porque cedo, diz Wenders, eles entenderam que aquilo tinha força. em cada filme está lá a identidade orgulhosa delas. e nós vestimos essa identidade desde sempre. só que essa não é a nossa identidade.

as imagens, ele disse lá na conferência, são a mais potente arma do mundo.

e foi por isso que eu fui lá agradecer pro cara.

porque ele é tudo isso.



mais sobre a conferência:

ÚLTIMO SEGUNDO
FRONTEIRAS 1
FRONTEIRAS 2
FRONTEIRAS 3

[ Penkala ] 23:06 ] 2 comentários

 
1. guampa torta, espírito de porco, idéias alopradas, mau humor a granel, arrobas de fúria descontrolada, piadas de humor negro e filosofia paz e amor; 2. suportem-me ou deixem-me; 3. nada de frescura de mais ou menos; 4. eu sei, sou realmente intragável; 5. mas vou continuar sendo.

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